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O coordenador do BE afirmou hoje que o Governo concorda com a proposta social-democrata de privatização das Unidades de Saúde Familiar, afirmando que ninguém entra num hospital a perguntar ao médico "como é que o negócio está a correr".
Em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao Centro de Saúde de Loulé, distrito de Faro, Francisco Louçã deixou claro que "o Bloco de Esquerda sente, como porventura grande parte dos portugueses, que a democracia fica diminuída se, em algum momento, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) perder as suas capacidades".
"O PSD tem-no sugerido mas queria alertar-vos para o facto de, quando o PSD apresentou a proposta de que as Unidades de Saúde Familiar pudessem ser entregues ao privado, imediatamente o Governo demissionário veio dizer que concordava com essa ideia", avisou.
O líder bloquista citou uma notícia avançada pela TSF a 12 de maio, segundo a qual a ministra da Saúde, "Ana Jorge, propõe Unidades de Saúde Familiar fora do serviço público".
"Isto é extremamente preocupante porque, em primeiro lugar, José Sócrates garante todos os dias que isto não vai acontecer quando a ministra do seu Governo propõe que assim aconteça", defendeu.
Para Louçã, "seria muito grave que acontecesse o que nunca aconteceu até hoje" que é submeter o SNS "a uma lógica empresarial" quando este "só tem que ver com a exigência do cuidado com as pessoas".
"É por isso que não é uma empresa. Ninguém entra num hospital e pergunta ao médico: Doutor, como é que o negócio está a correr?", exemplificou.
O cabeça de lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Lisboa referiu ainda que Portugal tem "um problema grave de resposta na saúde familiar, que é a base do Serviço Nacional de Saúde", denunciando que "um milhão de portugueses" não tem médico de família.
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