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Os líderes europeus falam de mais. A crise na Europa é uma crise de dívida e de défices descontrolados, mas é sobretudo uma crise de confiança.
E a confiança só se recupera se os credores perceberem que do outro lado estão pessoas com uma estratégia e um discurso coerente. Mas o problema dos líderes europeus é que todos os dias se desdobram em entrevistas, muitas vezes à procura de protagonismo, e com discursos que enviam indicações contraditórias aos mercados. Ontem foi a vez de Jean-Claude Juncker. O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro do Luxemburgo veio dizer a um canal de televisão alemão que uma saída da Grécia do euro, não sendo desejável, seria "gerível". Emprestando uma expressão cara ao Rei de Espanha, apetece dizer a Juncker ‘por que no te callas?' O presidente do Eurogrupo, supostamente, estaria a tentar amenizar uma outra entrevista, a do vice-chanceler alemão Philip Roesler que, em Julho, veio dizer que a perspectiva da Grécia sair do euro já havia "perdido o seu terror", declarações que provocaram o pânico nos mercados. É caso para dizer que foi pior a emenda que o soneto. Os mercados estão a viver um período de relativa acalmia nos últimos dias, com as bolsas a subirem e os juros a corrigirem. Voltar a acenar com o fantasma da saída da Grécia do euro, mesmo que esse cenário esteja a ser discutido nos bastidores, não ajuda em nada. Se a Grécia sair é preciso não esquecer que sobram 16 países que vão pagar, e bem, a factura.
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