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05 Mar 2013
Carlos Leone

Justiça e crises

Carlos Leone

O aconselhamento a investidores angolanos para não investirem em Portugal pouco importa aos seus destinatários.

Alguém imagina as fortunas de petróleo ou dos diamantes a guiarem-se por editoriais obcecados com o passado e ajustes de contas impossíveis?

Em tese, deveria ser simples e intensa a entrada de capitais angolanos na economia portuguesa: trazem liquidez muito necessária, absorvem profissionais portugueses e reduzem dependência da zona euro e suas vicissitudes; em troca internacionalizam a economia angolana, entram no mercado europeu pela via mais próxima culturalmente e fazem investimentos a preços muito atractivos. As trocas económicas crescem e os movimentos migratórios também, apesar de alguns discursos obsoletos persistirem de ambos os lados.

O que a mais recente diatribe contra Portugal no Jornal de Angola tem de relevante é ser motivada pelo funcionamento da Justiça portuguesa: as suas fugas de informação e a sua inoperância. Alem da vitimização está o essencial: a Justiça portuguesa demove investidores de entrarem em Portugal (vários embaixadores de países europeus têm-no dito publicamente). AJustiça e a administração portuguesas maltratam estrangeiros como o fazem a nós. Mas os estrangeiros podem evitar Portugal... E os portugueses também já o vão fazendo.

Sem resolver o pesadelo da Justiça e administração portuguesas nada melhorará na economia. O editorial teve o mérito de o salientar, apesar de tudo. O PS já propôs tribunais só para julgar casos relativos a investimento estrangeiro - o que soa muito bem, desde que não acabem entupidos como todos os outros.

Fossem todos os nossos males os que o editorial comenta e delira e estariamos bem menos mal. Sem Justica efectiva nunca estaremos melhor.

Carlos Leone, Investigador, Centro de História da Cultura (UNL)

 

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