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Portugal

Juros sobem mais de 200 pontos apesar da intervenção do BCE

Eudora Ribeiro  
30/01/12 14:40

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O BCE voltou hoje ao mercado para comprar obrigações portuguesas, mas os juros da dívida soberana continuam a escalada.

O Banco Central Europeu (BCE) foi hoje ao mercado secundário para adquirir títulos de dívida de Portugal, de acordo com duas fontes citadas pela Bloomberg com conhecimento das operações.

A intervenção da autoridade monetária da zona euro surge num dia em que os indicadores de risco da dívida soberana de Portugal voltam a renovar máximos desde a criação do euro, pouco antes de se realizar em Bruxelas um conselho europeu informal, que tem na agenda o crescimento económico e o emprego.

As ‘yields' das obrigações portuguesas entre os 6 e 9 anos avançam mais de 200 pontos base, de acordo com dados da Bloomberg, enquanto os juros a 2, 3, 4 e 5 anos sobem em mais de 300 pontos. Os juros a 3 anos já estão nos 24,594%.

No mesmo sentido, o preço de segurar o eventual incumprimento de Portugal, medido através dos 'credit-default swaps' (CDS) sobre obrigações portuguesas a 5 anos, agrava-se hoje em 62 pontos até aos 1.490 pontos, um novo valor recorde.

As ‘yields' das OT nacionais têm vindo a bater máximos históricos sucessivos nos últimos dias, depois de o Wall Street Journal ter lançado o rumor de que Portugal deve precisar de um segundo resgate. Uma previsão que é partilhada pelos economistas sondados pela Reuters, que apontam para que a hipótese de Portugal precisar de um novo pacote de assistência financeira é de 70%.

"Acho que reflecte uma mudança no foco dos mercados, porque até agora toda a gente estava preocupada com a Grécia", afirmou Peter Dixon, economista do Commerzbank para as acções globais, à Bloomberg, na sexta-feira, quando questionado sobre o agravamento dos juros dos títulos de dívida de Portugal. "Os mercados estão claramente a mudar o seu foco. Suspeito que vão preocupar-se com Portugal nos próximos anos, tal como em relação à Grécia nos dias de hoje", acrescentou o especialista.

É no meio deste contexto que Portugal já anunciou que regressa aos mercados na próxima quarta-feira, para tentar financiar-se num montante até 1,5 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro.

 





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