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Alguns especialistas defendem que a consolidação de créditos deve ser o último recurso.
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Em tempos de crise, juntar todos os créditos num só permite uma poupança de até 70% dos encargos mensais.
Taxas de juro em mínimos, ‘spreads' e desemprego em máximos. Eis uma fórmula altamente instável que a qualquer momento poderá explodir nos bolsos das famílias portuguesas. Depois de cerca de um ano e meio em queda face aos máximos históricos do final de 2008, surgem os primeiros sinais de inversão dos indexantes utilizados no crédito em Portugal. Se a isto adicionarmos a perspectiva de manutenção dos ‘spreads' em níveis elevados e o desemprego que está no valor mais alto das últimas três décadas, evitar situações de incumprimento poderá obrigar muitos agregados a apertar vários furos no cinto ou então a procurar soluções para reduzir as prestações dos seus créditos. A solução para não ficar "amarrado" aos juros poderá passar pela consolidação de créditos. Uma opção que poderá aliviar em até 70% os encargos mensais com o crédito.
Consultoras financeiras contactadas pelo Diário Económico confirmam, de facto, a existência de uma maior adesão por este tipo de solução. Apesar de se tratar de um problema transversal que afecta diferentes perfis de clientes, segundo João Martins, director-Geral da MaxFinance, "diríamos que se tratam de pessoas entre os 30 e os 50 anos, casados com filhos, trabalhadores por conta de outrem, com rendimentos mensais baixos e que, em média, têm mais de cinco créditos para além do crédito habitação". Para aferir as vantagens, os inconvenientes e o impacto sobre a prestação mensal do recurso à consolidação de créditos, o Diário Económico pediu a duas consultoras que fizessem simulações com base em três cenários com níveis de endividamento diferentes (ver gráficos ao lado). Os resultados mostram que a junção de créditos num único, permite uma redução entre 33% e 69% na prestação. Por exemplo, no segundo cenário em que o encargo mensal com créditos do agregado é de 1412,54 euros, com a consolidação é possível baixar a prestação para 433,97 euros.
Mas esta não é a única vantagem da consolidação. Segundo Joana Lopes, Marketing Product Manager da consultora Exchange, o crédito consolidado permite "beneficiar de uma taxa nominal muito inferior à taxa média que actualmente tem nos seus créditos". Isto é vantajoso nos empréstimos com prazos mais curtos, como é o caso do crédito pessoal onde as taxas de juro chegam a ultrapassar os 20%. "Ao juntar num único crédito hipotecário créditos onde as taxas de juro são de 15% ou 20% é possível conseguir taxas de 3% e 4% na consolidação", lembra João Fernandes economista da Deco. Para o terceiro cenário, por exemplo, uma das sugestões da Exchange foi a liquidação de todas as dívidas pessoais e a concretização de um crédito complementar com o reforço da hipoteca do imóvel, o que resultou numa taxa de juro de 4,687%.
Ainda assim, João Fernandes aconselha que sempre que possível, a consolidação de créditos seja o último recurso. "Deve ser considerada só se permitir gerir melhor o orçamento da família. É preciso avaliar o peso que os encargos têm para cada família", frisa o especialista da Deco. A título de exemplo, no segundo cenário criado pelo Diário Económico, na solução da MaxFinance, o custo total final do crédito seria de 197,3 mil euros, cerca de 18% mais do que a situação anterior à consolidação de crédito. Isto porque para conseguir reduzir o valor da prestação, o que as instituições financeiras fazem é alargar o prazo do empréstimo. "A extensão para um prazo muito alargado leva a que no total o valor dos juros seja seguramente superior. No curto prazo é vantajoso mas a médio e longo prazo é desfavorável", lembra João Fernandes.
É importante ainda ter em conta que a redução da prestação na maior parte dos casos é conseguida dando como garantia a hipoteca de um imóvel. Isto tem custos. É necessária uma nova escritura o que envolve encargos notariais, bem como o pagamento de imposto de selo. Este é o processo mais comum mas também é possível fazer um crédito consolidado sem garantia da hipoteca. Poderá é ser mais difícil. As instituições financeiras privilegiam quem tem rendimentos bastante elevados para terem garantias de que a taxa de risco de incumprimento é reduzida. Para qualquer dos cenários, a Exchange apresentou este tipo de solução. No terceiro cenário, por exemplo, uma das propostas foi um crédito consolidado sem a hipoteca como garantia, prevendo a liquidação do créditos pessoal, automóvel, para férias e da dívida do cartão de crédito, ficando de fora da consolidação o crédito à habitação. Com esta solução, a prestação mensal baixava de 1814,58 euros para 1222,15 euros. A questão é que isto também significaria um custo final para o crédito superior. Mais 24,5 mil euros do que a solução em que o imóvel era dado como garantia.
Para além dos custos de saída dos contratos pré-existentes, quando há transferência do crédito para outra instituição financeira, são cobradas comissões na operação de consolidação. As consultoras, a quem cabe muitas vezes fazer a ponte com os bancos, também cobram pelos seus serviços. Na MaxFinance, é cobrada uma comissão de dossier de 300 euros e uma taxa de sucesso que pode ir até aos 3% do montante do financiamento, nos créditos aprovados. Na Exchange, o custo é de 360 euros no caso do crédito hipotecário, enquanto no crédito consolidado sem hipoteca o custo depende do montante do financiamento.
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