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Reportagem

Jornal grego falido dá grito de sobrevivência

Luís Rego   em Atenas
16/06/12 12:55


Um símbolo do drama grego. Um jornal falido por má gestão volta hoje às bancas numa tentativa desesperada para atrair capital.

Num último sopro de vida, Eleftherotypia, o segundo maior quotidiano da Grécia regressa hoje às bancas, depois de ter sido fechado no passado dia 22 de Dezembro, deixando cerca de 800 funcionários com salários em atraso desde Agosto de 2011.

 “É uma última edição especial para que toda a gente saiba que ainda estamos aqui neste momento crucial da nossa história”, explica Yannis Triadis, um editorialista do jornal. Uma edição para tentar atrair capital, mostrando a vitalidade do projecto e o desespero dos jornalistas para continuar.

É uma história típica da Grécia de hoje, carregada de simbolismo para o momento que o país vive. “Durante anos, foram feitos um conjunto de grandes erros de gestão no jornal. Toda a gente sabia o que estava a acontecer e ninguém fez nada para o resolver”, diz um Triadis, sem se dar conta que poderia estar a falar do seu próprio país. “Um dia o jornal morreu”, diz.

A Grécia vai Domingo a votos atordoada num labirinto de histórias de má gestão (em Atenas mas também de gestão de crise na Europa), de que todos pareciam saber, mas no meio de um caminho almofadado que a integração europeia permitiu, ninguém fez nada. Os jornalistas não puderam escolher e foram surpreendidos com o fecho, mas amanhã os gregos, cada vez mais entregues a si próprios, vão ter de decidir. Ou seguem o caminho rochoso e incerto do ajustamento, na promessa de assim garantir financiamento internacional à custa de muita dor, vasculhando numa ferida social aberta há dois anos que ainda não parou de sangrar. Ou então seguem outro caminho também incerto, o da auto-determinação em relação aos seus credores, arriscando-se a perder financiamento externo e acabar sacrificados pela família europeia.

O jornal foi abandonado pelos credores há quase um ano. E os jornalistas, que na maioria se identifica com o centro esquerda, decidiram numa assembleia de cerca de 120 redactores, avançar para esta edição especial, nomeando um comité de auto-gestão para conduzir o trabalho. Ontem mesmo, Triadis e os seus colegas gesticulavam e gritavam, ávidos desse frenesim de edição que não tinham há largos meses. A impressão da primeira página rodava por todos, com discussões acesas à volta de cada palavra, em cima dos ouvidos do paginador e com muitos cigarros à mistura.

Tudo isto num edifício enorme para um jornal, talvez maior que o da agencia lusa em Lisboa, onde outrora trabalhavam cerca de 800 funcionários, incluindo edição, produção e impressora. A equipa de editores reuniu-se de novo, ocupando escritórios vazios, computadores abandonados. “Agora solução” foi a manchete escolhida. A pensar no país mas também no jornal.





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