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Aimar

“Jogar no Benfica é motivo de orgulho”

Paulo Jorge Pereira  
08/11/11 00:05


A cumprir a quarta época na Luz, o criativo sul-americano sente-se confortável e deixa elogios a Jorge Jesus.

Chegou bem jovem a titular do River Plate, ganhou troféus e criou desequilíbrios com a qualidade do seu futebol. No Valência manteve o nível e só não foi campeão europeu porque o Bayern Munique o impediu na final. Sucessor de Rui Costa como número 10 do Benfica, o argentino Pablo Aimar não decidiu se renova o vínculo que acaba no Verão do próximo ano, mas, em entrevista ao Diário Económico, afirma estar bem tratado na Luz, agradece os elogios de Messi e diz que Cristiano Ronaldo "é um fora de série".

Depois do River Plate e de jogar em Espanha no Valência e no Saragoça, como tem sido a experiência que vai na quarta época de futebol português?
A forma de vida é parecida e tenho sido muito bem tratado. Também gostei muito do futebol espanhol, embora em Espanha não tenha vivido na capital.

E o que significa representar o Benfica?
Jogar no Benfica é um motivo de orgulho e agradeço a quem apostou em mim. É uma responsabilidade especial, porque podemos proporcionar alegrias a milhões de adeptos. Além disso, sinto-me sempre melhor a jogar num clube onde a exigência está presente todos os dias e não se festejam empates. Não sabia que o Benfica era tão grande, dentro e fora de Portugal, é fantástico! É o maior clube português e isso significa muito.

Compara-o com o River Plate em termos de dimensão?
Sem dúvida, são clubes de magnitude semelhante.

Quando fala em responsabilidade, também existe o peso de Rui Costa o ter escolhido como sucessor para número 10 ou nem por isso?
Nesse aspecto, não considero que seja responsabilidade, é um prémio, outro motivo de satisfação para mim e considero maravilhoso que um jogador como o Rui me escolhesse para vestir a sua camisola.

Na comparação entre o Benfica actual e o da época passada, fica evidente que este é mais forte?
Sim. Começámos melhor, embora na temporada anterior também houvesse momentos bons e não podemos esquecer que jogámos as meias-finais de uma prova europeia.

FC Porto e Sporting são rivais do Benfica...
[interrompe] e o Sporting de Braga também...

Certo: considera que essas três equipas estão mais ou menos fortes?
Estão diferentes. Não faço essa avaliação, porque também não gosto de ver os adversários dizer se estamos mais ou menos fortes.

Ao longo da carreira trabalhou com vários treinadores: que avaliação faz de Jorge Jesus?
É um excelente treinador e não o diria se pensasse de outra forma. Tive sorte em cruzar-me com ele, é muito exigente, lembra-me um outro treinador que aprecio bastante, porque também exige o máximo dos jogadores: Marcelo Bielsa.

Na Luz, acabou por voltar a receber a companhia de Javier Saviola, com quem jogou no River e nas selecções, inclusive foram campeões do Mundo de Sub-20. Como foi esse reencontro?
Como se nunca deixássemos de jogar na mesma equipa. Diz-se que nos entendemos dentro de campo como se jogássemos de olhos fechados e, de facto, a compreensão entre nós é muito fácil. Mas fora dos relvados ainda funciona melhor, porque nos une um carinho especial e a amizade, uma palavra tão bonita, é muito mais importante do que o futebol.

É decisivo ter outros argentinos na equipa?
É. Quando se chega a um grupo novo, conhecer dois ou três elementos ajuda, tal como ser do mesmo país ou falar o mesmo idioma. Isso simplifica muito a integração, sobretudo se são boas pessoas como aquelas que tenho encontrado ao longo da carreira.

O contrato com o Benfica acaba em 2012: já decidiu se renova ou sai?
Não gostaria de repetir-me sobre esse assunto. Faltam cerca de sete meses para o final do contrato e, aos 32 anos, creio que devo avaliar bem a situação e esse tema será abordado na altura própria. Nesta fase, é fundamental ir pensando num jogo de cada vez.

Na jornada anterior da Liga dos Campeões, o apuramento estava à distância de uma vitória sobre o Basileia...
Sim, sabíamos disso e tentámos ganhar, mas acabou por não ser possível.

Na Champions, o próximo encontro será em Manchester: como antecipa esse duelo pelo primeiro lugar?
Antes da fase de grupos jogámos com Trabzonspor e Twente - se, nessa altura, nos dissessem que chegaríamos à 5ª jornada da fase de grupos a discutir a liderança do grupo, eu assinaria logo por baixo. Contudo, é essencial não cometer o erro de olhar mais além do próximo encontro. E temos outros compromissos importantes antes desse.

Messi deixou-lhe elogios e já os retribuiu: que significado atribui a essas palavras?
Senti-me orgulhoso e grato. As palavras de Messi são de alguém que, no futuro, pode muito bem estar entre os três/quatro melhores da História. Enfim, só posso dizer que joga muito melhor do que vê futebol [risos].

Considera que Messi é o melhor do Mundo?
Há quatro anos que é o melhor do Mundo, nunca o vimos estar semanas seguidas em mau nível, nem sequer se lesiona. Não só é difícil que faça tantos golos no Barcelona como é complicado manter o nível tão elevado. Não vi Di Stéfano, nem Pelé, vi Maradona, mas não é fácil encontrar alguém melhor do que Messi.

No entanto, na selecção argentina, Messi não consegue ter o mesmo tipo de sucesso. Porquê?
Nem sempre existem razões lógicas e penso que essa necessidade de estar sempre a avaliar é dispensável. Se na vida há tão poucas verdades absolutas, no futebol ainda há menos. O que digo é: se Messi estiver a jogar na televisão, eu sento-me sempre para ver sem me preocupar com avaliações.

Na opinião de um número 10 como Aimar, quem é o 10 perfeito?
Não sei. Pensei que nunca haveria alguém melhor do que Maradona, mas Messi... Bem, vamos ver.

E Cristiano Ronaldo, em que lugar fica?
Vem logo a seguir, é um fora de série que apenas tem a infelicidade de ser contemporâneo de Messi... A quantidade de golos que fazem é assombrosa, 40/50 golos por época são números de outros tempos!

Consegue definir os melhores e piores momentos da sua carreira até agora?
Os melhores são algumas jogadas em especial, certos episódios de jogos; os piores são sempre as lesões, pois nada é pior do que fazer parte de um grupo espectacular e ficar de fora sem ser capaz de ajudar.

Deixou a hipótese de ser médico para jogar futebol: não se arrepende?
Não. O meu pai jogou, o meu irmão é futebolista, jogar futebol é aquilo que mais gosto de fazer. Não o trocaria por uma carreira de médico, veterinário, advogado ou actor.

E a família? Como reagiu à sua ideia de ser futebolista?
Muito bem, a atitude dos meus pais foi igual comigo, com o meu irmão e com a minha irmã - a preocupação fundamental foi sempre no sentido de que nos sentíssemos felizes e realizados na profissão escolhida. Nunca exerceram qualquer tipo de pressão e essa é a forma certa de agir.

A magia que levou o Valência ao topo
Pablo César Aimar Giordano é natural de Rio Cuarto, província de Córdoba, onde nasceu a 3 de Novembro de 1979. Campeão do Mundo de Sub-20 em 1997 ao lado de jogadores como Cambiasso, Riquelme e Saviola, ganhou lugar na equipa principal do River Plate e conquistou quatro títulos argentinos, além da Taça Libertadores e da Supertaça sul-americana. Em 2000/01 rumou ao Valência por 24 milhões de euros e, em cinco anos, foi duas vezes campeão, ganhou a Taça UEFA e a Supertaça Europeia, perdendo a Champions com o Bayern. Por 12 milhões de euros passou para o Saragoça em 2006, mas as lesões que o afectaram na parte final do percurso em Valência também o prejudicaram nesta segunda etapa e a despromoção ao escalão secundário foi outro factor negativo. Assim, quando Rui Costa acabou a carreira de jogador, foi contratar o argentino por 6,5 milhões de euros em 2008 e, após dificuldades na primeira época, com Jesus o número 10 tornou-se fulcral para os troféus seguintes. Com 52 jogos e oito golos na selecção argentina, é considerado um dos grandes talentos pós-Maradona.





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