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Madeira

Jardim admite que dívida deve rondar cinco mil milhões

Económico com Lusa  
23/09/11 04:13

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Alberto João Jardim afirmou que a dívida regional "é uma coisinha de nada no meio de todas".

Numa entrevista à RTP-Madeira, o cabeça de lista do PSD às eleições legislativas de 9 de Outubro anunciou que o secretário regional do Plano e Finanças vai apresentar nos próximos dias "isso tudo, onde o dinheiro foi gasto".

Para Jardim, a dívida regional "tem que ser tratada nas mesmas condições que a dívida do País", apontando que "é mais ou menos a do Metro do Porto, cinco mil e tal milhões" de euros.

O governante madeirense anunciou que o secretário (regional das Finanças, Ventura Garcês) vai apresentar "isso tudo e onde o dinheiro foi gasto, para ficar tudo clarinho antes das eleições", tendo noutro momento referido que seria "mesmo antes de Bruxelas, mesmo antes do primeiro-ministro, antes das eleições".

Jardim reafirmou que a acusação de que ocultou dados sobre a situação financeira às entidades competentes "é uma mentira que foi lançada", que tem sido aproveitada pela comunicação social, sendo que o ministro da Finanças e primeiro-ministro "acreditaram na versão do INE" [Instituto Nacional de Estatística].

"Não houve ocultação, porque quando ficou pronto foi entregue. Não há ocultação, porque os senhores, pela boca do secretário regional do Plano e Finanças, vão saber o volume total que está a acabar de ser apurado, antes mesmo de Bruxelas ter o volume total de divida, tudo, desde o cesto dos papéis, da Empresa de Electricidade, tudo" sublinhou.

O líder do PSD-Madeira voltou a salientou que optou por "aumentar a dívida" para fazer obra e evitar que a economia da região parasse, refutando as criticas de despesismo, realçando que que "o futuro da região estaria comprometido se não tivesse feito" o que fez.

Jardim esclareceu que no comício da Ponta do Sol, disse: "Se por acaso - saiu mal - se o Governo da Republica apanhava que tínhamos estado ainda a acertar com os bancos e com os credores para então apurar de facto os números que se iam dar, tinha mais um pretexto para o senhor Teixeira dos Santos fazer o que fez uma vez à Madeira, com base de ter também um défice em qualquer coisa, tirar dinheiro", um caso que ficou resolvido em tribunal.

"Como já estávamos com falta de dinheiro, outra ripada do governo socialista então é que dava cabo de tudo".

O governante insular criticou também os critérios do INE, considerando que este caso não passa de "uma ‘revanche'", dada forma como divulgou a situação, porque o governo da Madeira já tinha protestado formalmente, porque mudavam "consoante as vontades do Governo Socialista".

Admitiu ainda estar disponível, num cenário hipotético de perder a maioria nas eleições, a fazer coligação com o CDS na região.

"O CDS seria o parceiro ideal, até para ficarmos conjugados, mas está a pôr aqui uma conjuntura que não me passa pela cabeça", frisou.

Adiantou que "se fosse preciso fazer coligação, o CDS facilitava até a vida da Madeira, porque havia uma comunhão mais forte de interesses e deixava de haver estas histórias do senhor Portas lá ser aliado do PSD e aqui ser adversário do Alberto João".

Alberto João Jardim declarou novamente "concordar" e "compreender a estratégia" do primeiro-ministro em não vir à campanha eleitoral da Madeira.

Instado a dizer como iria cortar na despesa da região, o líder insular negou que os madeirenses vão ter que pagar mais impostos ou taxas moderadoras na região ou que estejam perspectivados despedimentos, garantindo que "não vai tocar nos direitos adquiridos de ninguém".

Referiu que pretende formar um governo mais pequeno e que o seu objectivo é continuar a ter a economia em funcionamento, manter o investimento e permitir que a economia privada continue a funcionar com apoios da União Europeia.

Jardim destacou ainda que não pretende assinar qualquer acordo de resgate financeiro da região "sem ler várias vezes".

Dívida regional "é uma coisinha de nada"

Jardim disse ainda que o Presidente da República devia ter evitado que o Estado fosse instrumentalizado, para prejudicar as eleições nesta região, e a dívida regional "é uma coisinha de nada no meio de todas".

"Fizeram isto numa altura das eleições para nos encravar e o Presidente da República devia ter evitado que o Estado fosse instrumentalizado, na Madeira, nas eleições da Madeira, contra o PSD. Aí, o Presidente da República devia ter intervido", afirmou.

As sociedades secretas foram o alvo das críticas de Alberto João Jardim, a quem atribuiu a razão por existir "ódio contra os madeirenses", argumentando: "Por detrás dos partidos políticos estão sociedades secretas que têm muita gente de vários partidos. Não é só em Portugal. É por esse mundo fora, e isso explica o desatino em que neste momento está a Europa".

Essas sociedades, prosseguiu, "procuram ir contra os seus próprios partidos para poderem manobrá-los, o povo, a economia a seu contento e por detrás da cortina, fora da transparência democrática, poderem governar os países e Portugal", frisou.

"Faço um desafio aos políticos de Lisboa, sejam sinceros com o povo. Sejam honestos os que pertencem a sociedade secretas e tenham a vergonha e honestidade de dar a cara e digam que pertencem a uma sociedade secreta", declarou.

"Estes 30 anos foram um grande trabalho. Não temos o direito de ser humilhados e agora estar a mercê de mentiras, e a região voltar para a Madeira Velha, ao estatuto colonial que tinha antes do 25 de Abril", disse.

 

 





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