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Passos Coelho faz oposição ao Governo a 50 metros da casa de Sócrates. Na sede da candidatura até do call center não perdem o primeiro-ministro de vista.
Numa sala da sede de candidatura de Passos Coelho avistou-se José Sócrates na terça-feira à noite. Da janela do call-center do candidato a líder do PSD, montado numa sala com uma longa mesa em u com 15 telefones fixos, os voluntários estavam a fazer chamadas para o país para mobilizar apoios quando o primeiro-ministro fez um gesto comum: aproximou-se de uma janela da sua casa, na rua Braancamp, talvez para ver o cartaz de Passos Coelho que preenche o prédio em frente. É, pelo menos por aqui, pelo confronto directo com o líder do PS, que passa a estratégia do candidato à cadeira de Ferreira Leite. "Sócrates está desacreditado, o Governo está a perder fôlego, está a desfazer-se", diz Passos Coelho já no carro com o Diário Económico, depois de uma manhã com a agenda a transbordar. "Ainda nem consegui ler jornais", confessa, à medida que o BMW, com motorista e uma assessora sentada no banco da frente, passa a ponte 25 de Abril rumo à única freguesia de Almada liderada pelo PSD. Sobre o primeiro-ministro Passos Coelho desfia o pior: "Está encurralado entre o défice e o acerto das contas públicas e tem apresentado apenas soluções míopes de curto prazo. Sócrates quer vender os anéis e manter os grandes investimentos públicos: é um sinal de que não governará muito mais tempo". No fundo, Passos Coelho não deseja eleições antes das presidenciais, embora garanta que se elas vieram estará à altura. "Já ninguém me apanha desprevenido com eleições", insiste, apontando o caminho que espera será por si traçado- "O PSD não pode deixar o Governo fazer o que quer e ter medo de dizer o que pensa". "Não estaremos "disponíveis para arranjos de governo no actual quadro parlamentar". Com Passos a líder do PSD, se Sócrates sair haverá eleições.
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