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Pedro Adão e Silva

Já desistiu

12/05/09 00:03 | Pedro Adão e Silva 



Os 35 anos de democracia revelam que Portugal tem um problema sério de governabilidade.

Nenhum Governo de coligação resistiu uma legislatura inteira e apenas um Governo de maioria relativa durou quatro anos. Aliás, dois anos parece ser o limite máximo de vida para uma coligação em Portugal (foi o que durou a AD, o Bloco Central e a coligação Durão/Portas). Já em maioria relativa, apenas António Guterres conseguiu cumprir uma legislatura. Contudo, a resistência do primeiro governo Guterres é explicável por um crescimento do PIB de 4%, pela criação de 400 mil empregos e por se tratar do início de um ciclo político.

Vale por isso a pena ter presente o nosso passado político quando pensamos nos desafios do próximo ciclo. Se num contexto económico bem menos adverso, nenhum Governo sem maioria absoluta resistiu à turbulência política, podemos bem imaginar o que se irá passar com o PIB a variar entre o crescimento negativo e o medíocre e com o desemprego a rondar os dois dígitos. Não tenhamos dúvidas, se tivermos um Governo que não dure uma legislatura inteira, demoraremos ainda mais a sair da crise e fá-lo-emos em condições bem mais precárias. E pensar que, perante um cenário de grandes dificuldades, os partidos portugueses vão ter o assomo de responsabilidade que não tiveram no passado e se vão entender é ter uma visão lírica da política nacional.

Este fim-de-semana, Sócrates e Ferreira Leite fixaram, em duas entrevistas, a doutrina de cada um sobre as condições de governabilidade. As respostas são bem diferentes: para Sócrates, a melhor forma de garantir a estabilidade é uma maioria absoluta do PS; para Ferreira Leite, não haver uma maioria absoluta não quer dizer que haja uma crise política, até porque o que é preciso é que a oposição seja responsável.

O que a declaração de Ferreira Leite esconde é que o PSD incorporou a ideia de que não pode vencer e desistiu de lutar pela maioria absoluta. O problema é que essa desistência diminui a propensão para a bipolarização e, logo, as condições de governabilidade futuras do país. A percepção de que o PSD não pode ganhar tem ajudado à dispersão de voto à esquerda e à criação de um terceiro bloco, com cerca de 20% das intenções de voto, mas que se exclui de qualquer solução de governabilidade. Se o PSD não compete, de facto, pela vitória com o PS, os custos de votar à esquerda como forma de protesto são aparentemente baixos.Tendo em conta que o país vai precisar de um Governo que dure uma legislatura e que PS e PSD estão relativamente próximos em questões centrais, o melhor cenário é um Governo de maioria absoluta do PS ou do PSD, até porque a alternativa é uma pulverização eleitoral, que só produzirá instabilidade política. Que Ferreira Leite já tenha desistido deste objectivo é, por isso, incompreensível para o PSD e prejudicial para o país.
____

Pedro Adão e Silva, Professor universitário




Comentários (8)

jrdesiludido, | 12/05/09 16:00
Ao contrário de outros "amigos comentadores", acho que o mal é termo-nos afastado dos verdadeiros ideais que provocaram a revolução e o triunfo do 25 DE ABRIL!!! Todos comentamos livremente graças a isso, não o esqueçam...


pedro, | 12/05/09 14:47
o grande mal é a ideoligia deste senhor que não passa dum mero socialista.


Cheli&Chela;, | 12/05/09 12:19
35 anos de democracia abrilada, vieram mostrar ao país que os "objectivos revolucionários" do 25-A levaram o país para o fundo. Qualquer português com dois dedos de testa, podia ver que, perdidos os territórios ultramarinos/colónias, ficaríamos entregues à CEE/UE. Enquanto a rapaziada do Leste andava enfronhada no comunismo dos Camaradas, ainda atraimos as atenções dos investidores e os fundos comunitários. Depois da adesão do leste Europeu o caminho para baixo não dá sinal de se inverter...


Nuno José, Cascais | 12/05/09 10:55
Sr. Pedro adão Silva:

Não é preciso uma grande análise para chegar a essa conclusão. Se recuar pouco mais de 2000 anos aquando da conquista da Lusitânia pelos romanos o general responsável mandou a Roma um emissário com a seguinte mensagem "Na Lusitânia há um povo que não se governa nem se deixa governar" esta é a conclusão que já conta milénios de história e que ainda hoje se aplica e tudo por uma questão de mentalidade do povo avesso à mudança e pelos políticos medíocres que promovem os interesses pessoais em vez do interesse da colectividade pública.


Amêijoa Fresca, Algarve | 12/05/09 10:18
I Parte

Com a cultura de impunidade
há muito instalada,
o bem-estar da comunidade
fica seriamente abalada.

É pegar ou largar,
não olhando a valores,
o dinheiro serve para pagar
todo o tipo de favores.

Ao tomar conhecimento
de negócios funestos,
triste é o lamento
dos mexilhões honestos!

II Parte

O mundo das aparências,
alimentado pelos socialistas,
tem profundas incoerências
e políticas miserabilistas!

Há gente poderosa
a movimentar-se impunemente,
esta atitude indecorosa
é sinal de um regime demente!

Neste jardim ensolarado,
para o mexilhão desfrutar,
temos um socialismo empoeirado
que esfacela o nosso bem-estar!


LOPES CARLOS, Bruxelas | 12/05/09 08:12
Queremos estabilidade ? A resposta certa é mais produtividade/competitividade internacional . O resto é paleio.


Ze da Silva, | 12/05/09 03:38
Quer isto entao dizer que a unica alternativa seria e responsavel e a posicao do PM Socrates! Mas isso nao e novidade. A maioria dos Portugueses ja percebeu isso.Tambem por isso assistimos a todas as manobras de baixa politica e irresponsaveis da MFL. A inconpetencia da parte dela e mais do que obvia....


vg, | 12/05/09 00:16
Talvez que aquela ideia de MFL ,dos seis meses de ditadura ,seja a resposta.Renovável por seis vezes...


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