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"Sempre que os juros sobem prevê-se o fim do mundo", diz o presidente do Bundesbank.
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O presidente do banco central alemão argumenta que a crise de dívida não ameaça o núcleo duro da Europa.
"Nem a França nem a Áustria estão instáveis e os seus juros não estão invulgarmente elevados em relação ao histórico", afirmou Jens Weidmann, o presidente do Bundesbank, que é também membro do conselho de governadores do BCE.
Em entrevista ao Berliner Zeitung, que será publicada na íntegra amanhã, Jens Weidmann alerta contra as interpretações excessivas em relação ao insucesso da emissão de dívida alemã realizada quarta-feira, que registou a procura mais baixa desde a criação do euro. "As obrigações alemãs serão procuradas pelos mercados como sempre, porque a Alemanha tem uma política de estabilização convincente", argumenta.
Nessa emissão, a Alemanha pretendia que os mercados absorvessem 6 mil milhões de euros em obrigações a 10 anos, mas a procura foi apenas de 3,9 mil milhões de euro, ou seja, 40% dos títulos de dívida ficaram sem comprador.
O insucesso da emissão motivou uma escalada dos indicadores de risco dos países periféricos e penalizou a moeda única, tendo sido considerado por alguns especialistas como um "um completo desastre".
Na mesma entrevista, Weidmann disse ser errado apresentar Itália como estando à beira da bancarrota, dizendo que "sempre que as 'yields' das obrigações a 10 anos de algum país sobem, as pessoas prevêem o fim do mundo".
O presidente do Bundesbank disse ainda estar "optimista de que Itália pode lidar com juros acima de 7% durante algum tempo".
Na sessão de hoje, o juro das obrigações italianas a dois anos atingiu um novo máximo desde a criação do euro muito perto dos 8% (7,78%), e mesmo com o BCE a comprar dívida de Itália, o país agora liderado por Mario Monti pagou um juro recorde de 6,5% na emissão de dívida a seis meses realizada esta manhã.
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