Mercados

30 Mai 2012

Itália paga mais para colocar dívida de longo prazo

António Sarmento
Itália paga mais para colocar dívida de longo prazo

O Tesouro italiano pagou juro de 6% para colocar no mercado dívida a 10 anos.

O Tesouro italiano colocou esta quarta-feira 5.730 milhões de euros em dívida a 5 e a dez anos, cumprindo o objectivo fixado, que era o de colocar no mercado um valor entre os 4.500 e os 6.250 milhões.

Assim, Itália colocou 3.391 milhões de euros a 5 anos a um juro médio de 5,66%, acima dos 4,86% do anterior leilão com este prazo, e fixando um novo máximo desde Dezembro do ano passado para esta maturidade. A procura superou a oferta em 1,35 vezes, um valor que ficou de acordo com as previsões dos analistas.

O país liderado por Mario Monti colocou ainda 2.341 milhões de euros a dez anos, com um juro de 6,03%, o valor mais alto desde Janeiro - comparativamente aos 5,84% aplicados no leilão equivalente. Nesta linha, a procura superou a oferta em 1,4 vezes.

"O mercado parece desapontado com o leilão italiano, com a ‘Yield' no prazo a dez anos a ultrapassar os 6%", disse à Reuters Peter Chatwell, estratega do Credit Agricole, em Londres.

A Itália regista, de acordo com o monitor da Bloomberg, a maior subida no prémio de risco da dívida. A diferença face às ‘bunds' alemãs aumentou 16,4 pontos base para os 454,7 pontos. A média dos últimos três meses é de 365,3 pontos.

As ‘yields' das OT italianas também sobem em todos os prazos no mercado fora de balcão (OTC), onde é negociada a maior parte da dívida. A ‘Yield' dos títulos a 10 anos, por exemplo, fixou-se nos 5,943%. Na maturidade a cinco anos, a taxa de juro exigida pelos investidores está nos 5,591%.

Já o preço dos credit default swaps (CDS) sobre Obrigações do Tesouro (OT) italianas a cinco anos, que funcionam como uma espécie de seguro que os investidores pagam para se protegerem de um cenário de incumprimento por parte de um país, é dos que mais sobe no mundo.

De acordo com o monitor da Bloomberg, que analisa 59 países, os CDS de Itália sobem 13,1 pontos para os 535,40 pontos.

Previsões da OCDE para Itália

De acordo com um relatório da OCDE, a tendência de recessão de Itália só deverá começar a corrigir-se a partir de 2013, sendo necessárias ainda mais medidas de austeridade.

O défice deverá continuar a descer em 2013, desaparecendo totalmente em 2014 mas possivelmente serão necessárias mais medidas fiscais dada a previsível recessão e previsões "prudentes" do Governo sobre as medidas contra a evasão fiscal.

"As reformas estruturais já começam a melhorar as perspetivas a longo prazo e devem continuar", nota, considerando, por exemplo, que a redução em salários reais - em linha com a produtividade - ajudarão a fortalecer a competitividade e a conter o desemprego.

Antecipa-se que o aumento dos preços dos combustíveis e de um novo aumento do IVA levem a um aumento temporário da inflação, ainda que moderada, com o consumo "fraco ou em queda".

O desemprego tem vindo a aumentar "bastante rapidamente" o que, em parte, se pode dever ao "aumento no número de pessoas ativamente à procura de emprego", mas também a despedimentos entre empresas preocupadas com as dificuldades no acesso ao crédito.

 

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