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Depois de 35 anos na CGTP, Carvalho da Silva deixa agora o movimento sindical com a certeza de “grandes conquistas”.
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Carvalho da Silva deixou a CGTP, aos 63 anos, por limite de idade, mas não se desliga dos problemas da economia portuguesa.
Em entrevista, Carvalho da Silva diz que a receita económica que o Governo está a seguir glorifica o empobrecimento e levará Portugal pelo mesmo caminho que a Grécia. Deixa a CGTP, mas promete continuar a intervir na vida sociopolítica e não rejeita candidatar-se à Presidência da República.
A greve dos transportes desta semana terá um custo estimado de 150 milhões de euros. Acredita que a única solução para contestar é uma greve?
Acho interessante a formulação da pergunta, porque disse "a única solução." Não é a única.
Reformulo: uma das soluções?
É uma das iniciativas necessárias, mas não a única solução. A questão por detrás disto tudo é qual é o custo para a população portuguesa daquilo a que chamam reforma do sector dos transportes. Quantas são as carreiras que vão ser eliminadas, as que vão ser diminuídas, o aumento dos custos dos transportes, a limitação das condições de transportes.
Mas, com greves, tem visto satisfeitas a suas reivindicações?
Uma das características da sociedade actual é que as instituições que governam não ouvem o povo. Não governam para o povo. A maior parte dos discursos dos nossos governantes traduzem o conteúdo do memorando da ‘troika', como o interesse do Estado.
Foi isso que sentiu em sede de concertação social? Que o Governo não estava a ouvir a CGTP?
Sim, não estava a ouvir a CGTP e não está a ouvir os portugueses. Percebemos que o Presidente da República, o primeiro-ministro, os representantes partidários tenham discursos diferenciados. E muito diferenciados de uma central sindical. Mas não se pode ter uma intervenção nestes problemas, assumindo que aquilo que está escrito no memorando da ‘troika' é o interesse do Estado. Onde está o interesse das pessoas?
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