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Cavaco diz que "o País tem sempre hipótese de venda de activos ao estrangeiro".
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O Presidente da República reforçou hoje que se o Fundo Monetário Internacional entrar em Portugal, é porque "o Governo falhou".
Durante uma entrevista à RTP, Cavaco Silva disse recear uma entrada do FMI ou do Mecanismo de Estabilização Europeu no País. O candidato a Belém e actual presidente da República teme que "os analistas internacionais não tenham um conhecimento profundo da realidade social do País", e que a entrada dos organismos em Portugal contribua para a deterioração do ambiente económico e político.
E sublinhou que "ainda não está provado que não consigamos colocar a dívida no mercado", o que poderá evitar a entrada dos agentes internacionais no País, sublinhou Cavaco Silva, referindo-se à emissão de Obrigações do Tesouro que Portugal vai fazer na próxima quarta-feira.
"A situação é séria", admitiu o candidato presidencial, sublinhando, no entanto, que "o governo me disse, de forma muito clara, que está a fazer tudo o que está ao seu alcance para evitar recorrer ao Mecanismo de Estabilização Europeu".
"Não quero prejudicar o País quando o governo está a dizer que está a fazer tudo o que é possível", notou Cavaco, quando questionado sobre o que achava da probabilidade de o FMI precisar efectivamente de intervir.
Mas voltou salientar que "é muito claro: se o FMI entrar [em Portugal], o Governo falhou".
Por isso, afirmou Cavaco, "é fundamental apresentar resultados de acordo com aquilo que o governo projectou, no primeiro trimestre". E acrescentou que "o primeiro-ministro me garantiu que haverá uma execução orçamental muito apertada".
No entanto, o candidato social-democrata deixou ainda a sugestão de que "o País tem sempre hipótese de venda de activos ao estrangeiro". O presidente da República notou que um país confrontado com uma situação como a actual, tem algumas hipóteses que deve ponderar, nomeadamente a de utilizar as suas reservas, no caso de as possuir ou "a venda de activos. Vendemos a PT, por exemplo", relembrou.
Cavaco Silva referiu ainda a Galp como exemplo de uma empresa que pode ser vendida - ou pelo menos em parte - ao estrangeiro, notando que "é uma empresa com projecção internacional".
Mas, reforçou, "eu não estou a sugerir que sejam vendidas. Essa é apenas uma alternativa".
"Gostaria que não ocorresse uma crise política"
Questionado sobre se dissolver a Assembleia da República era uma hipótese a ponderar em caso de um eventual segundo mandato, Cavaco Silva afirmou que essa é uma situação "extraordinária".
"Se for apresentada uma moção de censura, por exemplo, o Presidente da República, seja ele qual for, tem que convocar o Conselho de Estado, ouvir mais algumas personalidades, ouvir os partidos políticos" para, dessa forma "tomar uma decisão ponderada", afirmou, salientando no entanto que "não podemos deixar de ter em atenção que o País neste momento não pode ter eleições. É juntar a uma crise económica, uma crise política", situação que, garantiu, "gostaria que não ocorresse".
"Temos que ter em atenção que a estabilidade não é um fim em si mesmo", reforçou.
Sobre a polémica BPN, Cavaco Silva voltou hoje a dizer que não conta fazer mais declarações e que todas os esclarecimentos já foram dados.
O candidato a Belém rejeita também a acusação de que tenha estado dois anos a evitar falar do assunto, dizendo que se limitou a responder à pergunta que lhe foi colocada durante um debate entre dois candidatos presidenciais.
"O Presidente da República não é alguém que vem fazer análises sobre a gestão dos bancos. Eu respondi à sua questão porque ma perguntou", disse Cavaco a Judite de Sousa na entrevista desta noite.
E afastou mais perguntas, dizendo que "este não é o tempo de fazer recriminações mas de encontrar caminhos certos para o futuro".
Polémica BPN é acto de "má-fé"
Cavaco Silva sublinhou, novamente que "só por má fé é que alguns acreditam que não está tudo esclarecido". E comentou: "Quando o País tem 600 mil desempregados e alguns entenderam que deviam fazer tema da campanha umas poupanças que eu e a minha mulher fizemos há uns anos... é má fé".
E concluiu: "Coloquei as minhas poupanças em vários bancos. Quando coloco as poupanças num banco digo sempre o mesmo: façam o melhor para garantir a máxima rendibilidade. É que dizem que eu fiz um lucro de uma certa aplicação financeira, mas não vão ver o prejuízo de outras", notou.
"Nunca discuti um preço, nem a que comprei nem a que vendi acções. Escrevi uma carta, porque me pediram. Ninguém me disse a quem é que ia vender porque nunca perguntei, nem nunca pergunto", garantiu. E lembrou que na altura em que investiu o dinheiro na SLN, ele e a sua mulher eram apenas professores universitários e "não ocupavam nenhum cargo público".
"Acho que se ultrapassaram limites", terminou o Presidente da República.
Já nos minutos finais da entrevista, Cavaco Silva alertou que irá "enfrentar uma situação muito difícil" se seguir para um segundo mandato, e que "a actuação de um Presidente da República tem que se adequar a situação que está a viver".
O candidato respondia assim à pergunta sobre se também ele vai viver um segundo mandato muito diferente do primeiro à semelhança do que tem acontecido com anteriores Presidentes da República.
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