O Lonely Planet, líder mundial em guias de viagem, elegeu a Islândia como o destino turístico mais barato do mundo.
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De destino turístico para ricos, a Islândia está agora a preço de saldo. A culpa é da crise económica, que deixou o país sem os hamburgers da McDonald’s.
Quando é que a economia de um país está nas ruas da amargura? Quando o Fundo Monetário Internacional desbloqueia um pacote de ajuda de 1,5 mil milhões de euros até 2011 e prevê que a dívida externa atinja 310% do PIB até ao final de 2009? Quando o Financial Times escreve que a economia ainda vai recuar 8,5% este ano e a taxa de desemprego atingirá 7,5%? Não. A economia está verdadeiramente mal quando a maior cadeia de fast-food do mundo, McDonald's, decide fechar as portas de todos os restaurantes (mesmo que sejam só três, na capital) e sair do país para nunca mais voltar. Ou quando o Lonely Planet, líder mundial em guias de viagem, elege a Islândia como o destino turístico mais barato do mundo.
"Sempre quis descobrir este país mágico e misterioso? Para explorar os glaciares e os vulcões, descansar nas nascentes de água termal? Adiou a viagem por causa dos preços proibitivos? Em 2010 poderá fazer tudo isto", diz o estudo "Best in Travel 2010", da Lonely Planet. O certo é que milhares de turistas em todo o mundo já estão a aceitar o conselho: só em Agosto, o número de estrangeiros que viajaram para a Islândia aumentou 12%. Neste momento, no spa geotermal da Lagoa Azul, em Grindavik, na costa sudoeste da Islândia, milhares de turistas banham-se num lago de água salgada com propriedade medicinais, naturalmente aquecida até aos 40 graus. Um dos spas mais caros e mais exclusivos do mundo, agora por apenas 23 euros por dia. "O fulgor da indústria turística, apesar de bem-vindo, é uma das poucas coisas positivas no meio das sombrias perspectivas de uma ilha, frequentemente fustigada por tempestades e num dos extremos do Círculo Polar Árctico", escreveu recentemente o Financial Times sobre a situação económica na Islândia.
De "orgulhosamente só", no meio do Atlântico, a mais de mil quilómetros da Europa continental, o país mais letrado do mundo, sem taxa de desemprego e com os melhores índices de qualidade de vida, há um ano a Islândia viu o seu sistema bancário entrar em colapso, graças ao endividamento excessivo à banca e ao crédito mal parado de proporções gigantescas. O governo declarou bancarrota e o povo invadiu as ruas, nas maiores manifestações de sempre em Reiquejavique. O site de leilões eBay chegou mesmo a anunciar a Islândia à venda por menos de um euro. A 26 de Janeiro, o primeiro-ministro Geir Haarde demitiu-se, tornando-se na primeira vítima política da crise económica na Europa. Em Abril a Islândia elegeu um novo governo, liderado por uma mulher, Johanna Sigurdardottir, e voltou-se para a União Europeia como tábua de salvação. Se tudo correr como planeado, a Islândia poderá entrar para a União Europeia entre 2011 e 2013.
O país nórdico preenche parte dos pré-requisitos europeus: 70% das leis islandesas estão em conformidade com as directrizes da UE e o país pertence à Zona Económica Europeia e ao Espaço Schengen, o que desde logo elimina as fronteiras. O principal problema surgirá no dossier das Pescas: a Islândia tem uma zona exclusiva de pesca com 360 quilómetros de extensão e caso entre para a União Europeia terá de ceder a Bruxelas o controlo total sobre suas águas e cotas de pesca, o que choca de frente com o ‘lobby' pesqueiro (39% das exportações da Islândia passam pelo mar). Para começar, a Islândia teria de banir a caça às focas e baleias, uma prática proibida pela União Europeia.
País livre de colesterol
Mas apesar de alguns sinais recentes de melhoria económica, as nuvens negras da pior recessão mundial desde os anos 30 do século passado ainda pairam sobre a Islândia. No início do mês, o Fundo Monetário Internacional autorizou a transferência da segunda prestação do pacote de ajuda financeira anti-crise para os cofres do governo de Reiquejavique, no valor de 721 milhões de euros. Aprovado há um ano, em Novembro de 2008, o programa de ajuda do FMI ascende a um total de 1,5 milhões de euros e foi recentemente prolongado por mais seis meses, até Maio de 2011.
Quanto à McDonald's, a gigante mundial de ‘fast-food' não quis esperar para ver se a injecção de capital vai ou não salvar a Islândia da bancarrota. O mesmo aconteceu com a Burguer King, que há alguns meses encerrou as operações na Islândia. No dia 31 de Outubro, noite de Halloween, milhares de pessoas esperaram horas na fila, à porta dos três restaurantes McDonald's em Reiquejavique, para saborear o último "verdadeiro Big Mac". O detentor dos direitos da exploração da marca na Islândia, Jon Ogmundsson, confessou que o negócio disparou depois de ter anunciado o fim da fast-food americana no país, com as vendas a ascender aos dez mil hambúrgueres por dia. A extrema desvalorização da coroa (desde Março de 2008, o euro aumentou 80% em relação à moeda islandesa) e os elevados impostos sobre a importação de ingredientes McDonald's provenientes da Alemanha são as principais causas evocadas para justificar o encerramento das lojas. Nos últimos 18 meses, o custo das matérias-primas para a produção de hambúrgueres duplicou.
"Chegámos a um acordo com o nosso franchisado na Islândia, Jon Ogmundsson, e concordámos que a complexidade de fazer negócio no país combinada com os desafios do clima económico tornam proibitiva a permanência da McDonald's. A situação é complexa e por isso a marca não tem planos para procurar um novo franchisado na Islândia", explicou-nos a porta-voz da McDonald's Corporation, Lizzie Roscoe. Desta forma, a Islândia tornou-se num dos raros países da Europa que não vende hambúrgueres McDonald's. O mesmo acontece na Albânia, Arménia, Bósnia-Herzegovina, zona norte de Chipre (sob ocupação turca) e Vaticano. De resto, não foi a primeira vez que a cadeia de fast-food decidiu sair de um país por causa da situação económica. O mesmo aconteceu na Bolívia, Barbados, Trinidad e Tobago, Bermuda e Jamaica.
Nuvens negras no horizonte
Sem a gordura saturada e as excessivas calorias das refeições McDonald's, resta agora à Islândia preocupar-se com a situação económica. De acordo com o Ministério das Finanças islandês, o cenário não é assim tão negativo, cita o Financial Times: "o país espera uma contracção de 8,5% para este ano, pouco acima do previsto na Irlanda, e a taxa de desemprego, nos 7,5%, é inferior à dos EUA e de vários países desenvolvidos". No entanto, o próprio governo acredita que o pior ainda está para vir: "O colapso de um sector bancário inchado transformou a Islândia num dos países mais endividados do mundo, sendo que as dolorosas consequências deste facto ainda não se materializaram, com Ministério das Finanças a prever que os próximos 12 meses serão um verdadeiro ‘annus horribilis'", escreve o Financial Times.
Além disso, a Islândia já chegou a acordo com o Reino Unido e com a Holanda sobre a nova lei que define as regras das indemnizações a conceder aos dois países depois do colapso do sistema bancário, no âmbito do reembolso de três mil milhões de euros em depósitos perdidos aos cidadãos britânicos e holandeses que detinham contas-poupança no banco online islandês Icesave.
Na avaliação que fez recentemente sobre a recuperação do país, em entrevista à "IMF Survey Magazine", o chefe de missão do FMI para a Islândia, Mark Flanagan (que lidera uma equipa de nove economistas), diz que "muito já mudou" e que "o novo governo islandês está a trabalhar com determinação para reconstruir a economia do país com a ajuda do FMI", podendo ser recompensado pelos progressos com um novo pacote de ajuda de 112,5 milhões de euros. "Não há como negar o facto que 2009 será o ano em que a Islândia sentirá a crise com maior impacto. O desemprego já ultrapassa os 7%, mais 1% do que em 2007, e tudo indica que a queda no PIB atingirá 8,5% até ao final do ano. É um valor muito alto, mas na verdade é mais baixo do que inicialmente antecipámos", disse Flanagan, num tom bastante optimista. O responsável do FMIacredita que, apesar de ascender a 310% do PIB nacional, a Islândia conseguirá mais cedo ou mais tarde pagar a sua gigantesca dívida externa. Enquanto esse dia não chega, os turistas continuam a aproveitar as férias a preços de saldo na terra do gelo eterno.
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Estão falidos mas mesmo assim a qualidade de vida e maior comparanda com parte dos portugueses que habitam ca
Uma boa escolha!
tinham a mania que era os melhores nao sei quê... pois no melhor pano cai a nódoa!
Atenção portugal .
têmos que colocar as barbas de molho.
ganda cena
Estão se esquecendo do grande plataforma de petróleo descoberta recentemente neste país!!!A>inda bem que eles dizem que vai ser só para consumo intermo assim já poupam umas massas e já tem hipótese de normalizar as finanças locais
qualquer algarve qual quê.......23 euros dia, nem a pensão da tia xica.....
ora ai esta um bom exemplo para Portugal se não tivéssemos o euro provavelmente estaríamos pior que a Islândia pois somos menos produtivos e nao temos os recursos naturais que eles tem.
Quanto mais alto se sobe, maior é a queda. Vou aproveitar os saldos
Eu trocaria imediatamente um Portugal actual por uma Islândia em grave crise. Haverá algum islandês que queira trocar de nacionalidade comigo??