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Angola

Isabel dos Santos reforça em Portugal com entrada na Zon

António Costa   e Filipe Alves
21/12/09 00:05

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Com mais 10% da operadora de TV Cabo, investimentos da empresária angolana ganham peso na economia portuguesa.

A Zon tem a partir de ontem um novo accionista de referência. A empresária angolana Isabel dos Santos chegou a acordo com a Caixa, a Cinveste e a própria Zon para a compra de 10% do capital da empresa, por cerca de 163,8 milhões de euros.

Para a operadora dona da TV Cabo, a entrada de Isabel dos Santos, formalizada ontem às 17 horas, é vantajosa porque representa um fortalecimento do seu núcleo duro accionista, um factor cada vez mais decisivo para o crescimento da empresa e inclusive para a sua própria sobrevivência, num sector onde os grandes ‘players' mundiais ameaçam ‘engolir' os mais pequenos.

"É uma honra para nós investirmos numa empresa como a Zon. Fomos bem recebidos pelos accionistas de referência e estamos aqui para fortalecer a Zon e ajudá-la a crescer", afirmou ao Diário Económico fonte da Kento, a sociedade de direito europeu detida por Isabel dos Santos, através da qual se realizou a entrada na operadora portuguesa.

Por outro lado, o investimento de Isabel dos Santos sela de forma definitiva a parceria para o lançamento da TV Cabo em Angola, que deverá ter lugar já em Janeiro e que vai constituir a primeira operação internacional da antiga PT Multimedia.

"Para entrar em qualquer mercado, em qualquer país do mundo, é preciso fazê-lo com as pessoas certas", salientou uma das fontes contactadas pelo Diário Económico, entre os accionistas de referência da operadora. O negócio, que foi preparado pelo BES Investimento, passa pela compra de três parcelas do capital da operadora, num total de 10% do capital: 2,5% à Caixa, 2,97% à Cinveste e 4,53% à própria Zon, a um preço médio por acção de 5,3 euros, um valor que corresponde a um prémio de 26,3% face ao fecho de sexta-feira. A operação esteve, de resto, prestes a ser concluída na sexta-feira, mas algumas exigências de última hora, formuladas pelo advogado da Cinveste, Osório de Castro, obrigaram a um adiamento de dois dias.

Caixa, GES e Isabel dos Santos valem 40% do capital

Tendo em conta que os títulos vendidos pela Zon são acções próprias, será convocada uma assembleia-geral extraordinária em Janeiro, para que a venda seja aprovada. Só após este passo é que o negócio estará concluído. Porém, este procedimento deverá ser uma mera formalidade, uma vez que a entrada da nova accionista de referência tem o acordo do ‘núcleo duro' da operadora dona da TV Cabo: Caixa (cuja posição desce para 15,1%), Grupo Espírito Santo (12,98%), BPI (7,74%), Joaquim Oliveira (3,71%), Cofina (4,91%), Cinveste (que passa a deter 2,9%), Joe Berardo (5,63) e Ongoing (proprietária do Diário Económico, com 3,16%).

Estando os direitos de voto limitados a 10% do capital, de acordo com os estatutos da Zon, a entrada de Isabel dos Santos implica que qualquer decisão estratégica sobre o futuro da empresa necessitará do apoio dos três principais investidores: a empresária angolana, a Caixa Geral de Depósitos e o BES, que em conjunto representam uma minoria de bloqueio com cerca de 40% do capital e 30% dos direitos de voto.

Zon aposta na SporTV e canais TVCine para conquistar Angola

A outra face da parceria com Isabel dos Santos passa, como o Diário Económico avançou em primeira mão, pela formação de uma empresa angolana que será responsável pela operação de ‘pay-tv' em Angola. Esta sociedade será detida em 70% por Isabel dos Santos e em 30% pela Zon, sendo que esta percentagem é o limite máximo que um grupo estrangeiro pode deter em Angola.

Tendo em conta as características do mercado angolano, numa primeira fase a Zon vai apostar na transmissão via satélite, garantindo assim a cobertura de 100% do território. Para uma segunda fase deverá ficar a cablagem das zonas mais povoadas, onde a empresa vai enfrentar a concorrência da portuguesa Visabeira e da sul-africana Multichoice, que já actuam naquele mercado. Mas a Zon aposta em conteúdos como o desporto (SporTV) e o cinema (TVCine) para conquistar o público angolano.

"A Zon alavancará a sua posição de liderança na produção e distribuição de conteúdos em Portugal, através da venda para o mercado angolano dos canais de cinema TVCine produzidos por si, bem como de canais produzidos por ‘joint-ventures', nomeadamente os quatro canais recentemente incluídos na parceria "Dreamia" com a Chello Media ("Hollywood", "Panda", "Panda Biggs" e "MOV") e ainda os canais Portugueses Premium de desporto, "Sport TV"", referiu ontem a Zon em comunicado.

 





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