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Educação

Isabel Alçada deixa cair divisão de professores em duas categorias

Pedro Quedas  
18/11/09 06:50

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1 leitores

A ministra da Educação entrega hoje aos sindicatos a proposta de calendário negocial para a revisão do estatuto da carreira e da avaliação de desempenho docentes.

O Governo prepara-se para deixar cair a divisão da carreira docente entre professor titular e não titular, naquele que será um dos maiores passos dados pela nova ministra da Educação, Isabel Alçada, no sentido de chegar a um consenso quanto a um novo modelo de avaliação dos professores.

O Diário Económico apurou que esta decisão surge num contexto de aproximação entre a nova ministra e a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e será a principal arma do Governo para pacificar um debate que já dura desde a anterior legislatura. A divisão da carreira tem sido, aliás, um dos principais cavalos de batalha dos sindicatos na sua contestação à revisão do Estatuto da Carreira Docente.

O secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, já se tinha mostrado optimista logo após a primeira reunião com a nova ministra. "Esta reunião marca o princípio do fim da antiga avaliação e o princípio do fim da divisão da carreira em duas categorias", afirmou, à saída desse primeiro encontro com Isabel Alçada.

Amanhã começam as discussões no Parlamento em torno da Educação, estando em linha para debate propostas de todos os partidos da oposição. A proposta do PSD, ao abdicar da "suspensão" e optar por "substituição" do modelo de avaliação, é a que tem gerado maior atenção.

A proposta mais moderada por parte dos social-democratas poderá ter sido o resultado de um acordo com os socialistas que, em troca, terão concordado em deixar cair a divisão da carreira docente em duas categorias. A bancada parlamentar do PS reuniu ontem para definir intenções de voto em relação às propostas que vão ser apresentadas, especulando-se que estarão mais inclinados a aprovar a do PSD.

A exclusão da suspensão imediata da avaliação pode vir a constituir, no entanto, um importante entrave às negociações. Mário Nogueira, da FederaçãoNacional dos Professores (Fenprof), que reúne hoje com a ministra para discutir o calendário das negociações, já afirmou estar "pronto para a luta" se o Governo insistir nas soluções negativas.

Oposição apoia

A confirmar-se o fim da divisão da carreira docente, a reacção por partes dos partidos da oposição é, de um modo geral, positiva. "Se o PS mostrar essa abertura, é algo que nós congratulamos", diz Pedro Duarte, deputado do PSD. "Nós propomos isso no nosso projecto. É algo que nunca fizeram antes".

Falando pelo CDS Diogo Feio comenta que o seu partido não só discorda da divisão como apresentou um modelo alternativo, com "uma carreira única com a possibilidade de os professores voluntariamente optarem por funções de coordenação". "Um bom início de conversa". É assim que a deputada Ana Drago caracteriza esta abertura.

Apesar de algumas incertezas e receios, o consenso de um lado ao outro do espectro político é de que esta é uma medida positiva, que poderá desviar alguma da contestação de cima de Isabel Alçada. Ontem Manuel Alegre também se mostrou elogioso "da nova atitude de diálogo do Governo e da ministra da Educação, para que haja um consenso a bem da escola pública".

 





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Comentários (32)

joana, Lisboa | 19/11/09 14:39
A questão da divisão da carreira dos professores do secundário não pode ser comparada às categorias existentes na carreira dos professores do ensino superior. Sabe porquê? Porque no superior não se chega a professor catedrático porque se tem 30 anos de carreira , chega-se lá através do trabalho demonstrado ou seja de um curriculum rico e diversificado. Contabilizam-se os artigos publicados, os livros escritos, as confer~encias dadas, para já não falar obviamente ma necessidade de se ter o grau de Doutor. No ensino secundário temos professores licenciados a avaliar professores com o grau de Doutor...


Manuela Santos, | 18/11/09 16:39
Ainda bem que esta ministra demonstra abertura. Sou a favor da avaliação dos professores, mas antes demais sou a favor de um melhor ensino. Tem de haver menos burocracia (papelada e afins) e mais tempo para dedicarmos ao ensino. Sei que muitas pessoas não nos compreende, mas nós professores somos humanos e temos FAMÍLIA e também precisámos de dedicar tempo aos nossos filhos. Não trabalhámos menos horas, pelo contrário chegamos a casa e trabalhamos (falo por mim e pelos colegas que conheço) pela noite dentro. A Educação tem de mudar mas de uma forma gradual e justa.


Barata, Seixal | 18/11/09 16:18
Era interessante ver os defensores deste modelo de avaliação um dia, apenas um dia, a leccionar algumas turmas de 7º ou 8º ano numa qualquer disciplina, para que pudesse confirmar que aquela «"classe corporativa" que "apenas" defende os seus interesses contra o Estado» (tão corporativa que nem uma ordem tem!!), defende-se diariamente das agressões verbais e físicas que uma minoria de jovens (com pais muito mal educados) lhes inflige. Esta classe corporativa que tenta formar os jovens, não os educar, que essa função pertence aos pais, mas que se confronta diariamente com as maiores vicissitudes para poder, honestamente, cumprir com o seu dever de formar. Esta classe corporativa que assistiu, de forma autocrática, a colegas seus que, com menos habilitações/tempo de serviço/cargos exercidos, serem promovidos a professor titular, resultado de um concurso surrealista realizado há c. de 2 anos; por acaso tomaram conhecimento dos critérios do concurso para professor titular? Se não tomaram, tomem, reflictam e façam o voto de confissão.
A questão essencial é que passámos do 8 para o 800, como sempre; precisámos que morressem para cima de meia centena de pessoas em Entre-os-rios para se construir uma nova ponte! Um absurdo, protagonizado pelos mesmos farsantes que estão no poder desde 1974. Basta de mediocridade, sejamos livres, mas responsáveis.
Um professor (não titular!), com 26 anos de ensino, director de turma, delegado de grupo, director de instalações, relator de processos, corrector de exames nacionais de 12º ano, coadjuvante de exames nacionais de 12º ano, coordenador de actividade de complemento curricular, membro de equipas nónio/tic/pte, formador de professores.
Sejam felizes, mas conscientes.


Zé Carlos, Lisboa | 18/11/09 14:13
Tem toda a razão antonio ferreira, esse é o nirvana dos sindicatos. Todos até ao topo com quadros circulares, de forma que cada funcionário ao ser promovido crie a sua própria vaga. Era assim e pelos vistos vai continuar a ser.


mrrm, | 18/11/09 14:12
para o armando batista. Tenha tento no que diz e tenha respeito por quem esteve preso pela Pide. De resto, a notícia e os todos os outros comentários são bom sinal para o Ensino, porque mesmo antagónicos, todos querem genuinamente o melhor. Sem um Ensino melhor não saíremos da cepa torta.
MMartins-Sintra


PAIDESILUDIDO, COVILHÃ | 18/11/09 12:19
Sra. Ministra:
Vai permitir que o corporativismo endinheirado, com meios e demasiado tempo disponivel para se manifestar e arregimentar, ligado aos lobbies e partidos politicos oportunistas que disputam como hienas os seus votos de descontentamento injustos e irracionais...vençam de forma vergonhosa o estado de direito, a justiça social e a esperança de um futuro ainda possivel para este País? Vai, mais uma vez, hipotecar a esperança?
A divisão de professores em duas categorias está correcta, Já fui aluno, hoje sou pai de alunas, tive excelentes e péssimos professores, como ainda hoje acontece e tem que existir uma forma de distingui-los,premiá-los e se possivel a pouco e pouco, ir expurgando os maus. Existem os que se dedicam à escola e aos seus alunos e dão mais à comunidade escolar com as mais diversas iniciativas e actividades, dando mais de si e do seu tempo...e os outros, que apenas cumprem o minimo contratuado no vencimento e estão na escola o minimo tempo indispensávelmente possivel...TODOS SABEMOS ISSO!
Sabe por exemplo, uma pequena pesquisa que eu fiz, na época escolar passada, cada professor teve 84 dias úteis livres, ainda que dê 14 a cada um para reúniões e dar notas...ainda assim sobram 70...OS TAIS tiveram estes dias de férias...os outros que organizam e se preocupam para que tudo corra bem na Escola e estiveram lá...tiveram muitos menos! Ora não há que diferenciar e dar titulos ou nomes, o que seja, a esta gente tão diferente na sua forma de funcionar e ter gosto e brio no que faz?
A ESCOLA ESTÁ MUITO MELHOR DO QUE ESTAVA...BASTA VER POR EXEMPLO COMO BAIXOU O ABSTENCIONISMO DOS PROFESSORES...MAS É PRECISO AINDA MAIS E COM CORAGEM ESTAVA-SE A CONSEGUIR...!
NÃO QUEIRA SER CONHECIDA COMO A MINISTRA DA REGRESSÃO...DA VOLTA DA BANDALHEIRA...DO PREC EDUCATIVO...!
VAMOS EM FRENTE...CORAGEM...O FUTURO CONQUISTA-SE...O CAMINHO JUSTO FAZ-SE CAMINHANDO...A RAZÃO EXPLICA-SE E A GRANDE MAIORIA DO POVO COMPREENDE...FAÇA ISSO E QUE NÃO LHE DOA A VOZ...!


João Gamito, Santiago do Cacém | 18/11/09 11:42
É uma óptima notícia. A forma como alguns professores conseguiram chegar a "professores titulares" foi uma coisa incrível. Pelo facto de muitas vezes os melhores profissionais abdicarem de serem delegados de grupo ou directores de turma, por causa das reuniões já em período nocturno, em prejuízo das famílias, nomeadamente crianças, os professores menos competentes nuns casos e oportunistas, noutros casos, ficaram com cargos. Isso dava direito a menos horas de aulas e esses professores menos competentes o que queriam era fugir das aulas e dos alunos. Com o concurso para titulares esses professores que fugiam dos alunos foram premiados e os outros foram ultrapassados. Que se faça justiça a essa injustiça e que se construa um novo processo para aproveitar a experiência dos professores com mais anos de carreira, nomeadamente em orientação e supervisão.


MAC, | 18/11/09 11:29
Convido as pessoas com coragem e determinação a formular uma petição a exigir a divisão da carreira docente em diversas categorias. Não existe nenhuma razão para tal diferenciação na Administração Pública. Todos os demais funcionários e até os titulares de Órgãos de Soberania estão divididos em categorias. Exceptuando os professores, todos os que lerem esta mensagem, estão inseridos, no seu local de trabalho, numa estrutura hierárquica mais ou menos achatada que os divide em categorias.


jose veloso rito, v.n.famalicão | 18/11/09 11:26
A escola pública é um bem essencial de toda a sociedade moderna e democrática.
Por mera coincidencia sou professor do secundário. Titular é um termo um pouco desajustado e inadequado para um Professor.........Titulos há muitos, os profissionais ( Professor, Engenheiro, Arquitecto etc....) ou os pseudo títulos como Dr ( comum Setor...., nas escolas ). Aliás este nosso país de titulos e mais titulos e mais titulares, só num contexto meramente ridículo é que so poderá entender, dado que náo é por títulos que se adquire a verdadeira sabedoria e a cieência de ensunar e transmitir conhecimentos.
Daí que titular professores , é de facto único neste país...aliás no estrangeiro por esta Europa fora isso não ocorre.
Porquê? Porque se preocupam mais em saber ensinar, e ter conhecimentos científicos capazes de uma escola pública séria, de pleno direito , e organizada com Professores capazes, e sabedores......Eu entendioque aos Professores falta formação séria , integrada e no dmínio das Ciencias da Educaçao....não faltam titulos, mas sim sabedoria que é sempre pouca..... ..... Ora se o nosso Ministério se preocupasse com isso, seria algo mais importante interessante , para que os nossos jovens não andem nas fileiras do desemprego.
E isto para não falar do modo como o concurso decorreu.............com as atribulações e provavelmte ilegalidades, que lhe foram caracteristicas.
Nele se valorizarem as tarefas burocráticas dos Porfessores, não a sua sabedoria...essa não interessou........MAS QUE PAÍS?????? ONDE NEM SEQUER AS NOTAS DA CLASSICAÇÃO ACADÉMICA, POUCO OU NADA CONTARAM PARA CONCURSO? SERÁ ISTO DE ENTENDER? AS AULAS E NUMERO DE AULAS QUE FORAM DADAS TAMBEM POUCO OU NADA CONTARAM.....PROFESSORES COM DOUTORAMENTO JÁ EFECTUADO, NAO CONSEGUIRAM ACEDER A TITULAR , EM CONTRAPOSIÇÃO COM OUTROS QUE NEM MESTRADO TINHAM E CONSEGUIRAM ACEDER? É DE FACTO UM CONURSO PARA DEITAR AO LIXO....



R, | 18/11/09 11:23
Acabem com esta pouca vergonha, toda gente sabe que a avaliação só veio para limitar os custos com a educação barrando a subida de escalão aà maior parte dos professores. Só tem servido para prejudicar o ensino, tanto professores como alunos já perceberam isso, só o governo é que ainda pensa nos troquinhos que pode poupar com a medida, em vez de se preocuparem com a qualidade do ensino em Portugal


olga, | 18/11/09 11:23
Como professora com 34 anos de serviço, 11 no 10º escalão, tendo optado por não concorrer a titular, por nunca ter concordado em que me "discriminassem" , fico muito satisfeita se sempre tiverem corajem em assumir que o pior erro foi a divisão de carreira.


César Rocha, S. Bartolomeu Messines | 18/11/09 11:02
Vou dar o benefício da dúvida sobre as boas intenções desta medida!
Atendendo que o "jogo" ainda não principiou esperemos, mais alguns dias, para sentirmos se esta resolução não será apenas política ... ( PS / PSD ) pois no"terreno", tudo ficará como estava.


maria gonçalves, sintra | 18/11/09 10:35
O Senhor Mário Nogueira ao que parece não quer resolver o problema da avaliação dos professores, é um descontente com a "vida" mas apresentar soluções efectivas e funcionais, não é com ele, ou porque a reunião com a sra. Ministra foi repentina, ou porque estamos prontos para a luta, é a velha máxima do não faço e não vou deixar que se faça... é o Portugal dos pequeninos no seu melhor... os professores devem ser avaliados sim porque são eles a base educacional da sociedade futura e andam lá muitos que já deviam eestar em casa a coser meias e outrros que enem deviam lá andar. Acredito numa avaliação justa e sobretudo necessária que deve ter o acordo de todas as partes e todas ass partes devem ter consciencia do que estão a fazer incluindo o Sr. Mário Nogueira.


Um pai com filhos na escola pública, | 18/11/09 10:33
Tanto quanto parece esta ministra é muito "tenrinha" para enfrentar as exigências demagógicas da FENPROF ...
Depois, aí estão os nossos filhos para "pagarem a factura" ...
Há uma (entre outras várias coisas ) que o senhor Mário Nogueira se esquece de referir.
É a de que o absentismo às aulas entre os professores diminuiu enormemente com a entrada do novo processo de avaliação.
Um outro aspecto fundamental que a senhora ministra tem que salvarguardar, em defesa dos nossos filhos estudantes, é a situação de muitos professores, que o são apenas por recurso e por não terem conseguido emprego na sua área preferida.
Não serão todos, mas vários destes professores não se aplicarão com o empenho devido, com as inerentes e nefastas consequências na preparação dos alunos.
São situações muito concretas, senhora munistra, que têm que ser salvaguardadas e a única via é que todos os professores sejam avaliados.
Suas excelências os senhores professores não são seres de excepção.
Todos os profissionais, nas suas actividades e nas empresas onde laboram são avaliados !


Luis Capelo, Moita | 18/11/09 10:32
O PCP nao deu o seu parecer, ou O SAPO excluiu-o propositadamente ? So para lembrar que este partido tambem tem deputados na Assembleia da Republica, que com certeza tambem tem ideias sobre o assunto, o jornalismo deve ser honesto e apartidario, haja decencia.


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