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Finanças Pessoais

26 Nov 2010

Investir em livros raros pode render até 7,5% ao ano

Alexandra Brito
Investir em livros raros pode render até 7,5% ao ano

O Palácio do Correio Velho realiza hoje e na próxima segunda-feira um leilão de livros que pode interessar aos coleccionadores e investidores.

E se em vez de comprar acções comprasse livros? A ideia pode parecer absurda, mas já existem muitos coleccionadores de livros em Portugal que aliam o útil ao agradável: compram livros, não só pelo prazer de os ler, mas também com a preocupação de valorizarem as suas colecções. Por exemplo: se for a uma livraria comum e comprar "A mensagem" de Fernando Pessoa esta obra irá custar-lhe um valor que rondará os 4 euros. No entanto, na próxima 2ª feira, vai ser leiloado, no Palácio do Correio Velho, um exemplar raro de "A Mensagem" com uma dedicatória de Fernando Pessoa a Carlos Lobo de Oliveira, um escritor amigo de Pessoa. Este livro poderá ser arrematado por 5.000 euros.

Os números mostram que os livros não são apenas folhas de papel e podem funcionar também como um investimento alternativo. Segundo estimativas gerais de Isabel Maiorca, responsável pela área de livros do Palácio do Correio Velho, os livros bons e raros podem registar uma valorização média anual entre os 5% e os 7,5%. Os interessados nesta forma alternativa de investimento têm entre hoje e 2ª feira uma oportunidade para ir à compras, já que o Palácio do Correio Velho está a realizar um leilão de livros.

Mas nem todas as obras são sinónimo de bom investimento. Pedro Teixeira da Mota, colaborador do Palácio Correio Velho, explica quais são as últimas tendências que têm sido procuradas pelos coleccionadores. "Os livros de viagens antigos, com gravuras que mostram, por exemplo, as primeiras viagens dos portugueses à Índia e a África são muito valorizados e disputados". O mesmo acontece com os livros quinhentistas de autores portugueses e que abordavam temas científicos. Mas nem só de livros antigos se faz um bom investimento. O colaborador do Palácio do Correio Velho realça também as obras de escritores modernistas portugueses, como Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá Carneiro e Mário Cesariny como exemplos de autores muito procurados pelos coleccionadores.

Tal como acontece noutras áreas, também nos livros existem algumas obras que são ambicionadas por todos os coleccionadores. Um dos tesouros mais desejados é um exemplar da primeira edição de "Os Lusíadas" - que tem a particularidade de ter a imagem do pelicano, que está no frontispício, voltado para a esquerda. É impossível saber qual seria o valor que esta obra poderia atingir se fosse colocada no mercado, mas Isabel Maiorca não se espantaria se atingisse um valor próximo dos 250 mil euros. Mas apesar de "Os Lusíadas" serem considerados uma espécie de Santo Graal dos livros portugueses, existem outras obras que pela sua raridade também poderiam atingir preços elevadíssimos se fossem colocadas no mercado. A especialista do Palácio do Correio Velho destaca dois exemplos: a primeira edição dos sonetos de Antero de Quental e a primeira edição de "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett. Trata-se de duas obras das quais praticamente não se conhece a existência de exemplares.

Para os coleccionadores que queiram valorizar os seus livros, Pedro Teixeira da Mota deixa alguns conselhos, tais como: privilegiar os livros em bom estado de conservação, comprar sobretudo exemplares de primeiras edições e escolher um tema para a colecção que tenha potencial de valorização. Pedro Teixeira da Mota lembra que os livros franceses, por exemplo, devido à diminuição da procura nos últimos anos, têm enfrentado uma desvalorização de cotação.


Até 5.000€: "A Mensagem"
Uma das obras mais emblemáticas de Fernando Pessoa vai a leilão. Este exemplar tem a particularidade de ter uma dedicatória do autor. As estimativas da leiloeira apontam para que o livro seja arrematado por um preço que pode variar entre os 2.500 e os 5.000 euros.

Até 2.600€: Viagem de D. Filipe II a Portugal
O livro descreve a viagem da visita de Filipe II a Portugal. É valorizada sobretudo "pelos seus contributos para a iconografia e a história das festividades da época". Tem um preço estimado que oscilará entre os 1.300 e os 2.600 euros.

Até 3.000€: Livro de Horas
Segundo o Palácio do Correio Velho, "trata-se de um Livro de Horas Mariano, segundo o uso de Roma, tendo no verso da 1ª folha um calendário de 1516 a 1530 para a determinação do número áureo e dos dias pascais". Vai hoje a leilão. O preço pode atingir os 3.000 euros.


Cinco conselhos para investir em livros:

1 - Primeiras edições
Para quem queira comprar livros com a preocupação de valorizar o investimento deve optar pela compra de primeiras edições. O conselho é de Pedro Teixeira da Mota, colaborador do Palácio do Correio Velho para a área de livros. E avança com um exemplo: uma primeira edição de uma obra de Camilo Castelo Branco pode chegar a valer até 400 euros. Já uma segunda edição da mesma obra não vai além dos 20 euros.

2 - Estado de conservação
Como em todos os investimentos alternativos, sejam eles obras de arte, relógios ou moedas, também nos livros o estado de conservação é um factor importante para a sua valorização. Por isso é essencial que a obra esteja completa, sem páginas arrancadas sem manchas e que a encadernação seja a original.

3 - Dedicatórias do autor
Dedicatórias do autor e autógrafos também fazem subir o preço e o valor dos livros. Pedro Teixeira da Mota dá o exemplo de Fernando Pessoa: "Uma dedicatória deste escritor poderá ter uma influência de 500 a 700 euros na cotação de uma primeira edição de um dos seus livros".

4 - Encardernação
As encadernações são outro dos factores a ter em conta. "Há livros que valem sobretudo pela riqueza das suas encadernações, mais do que pelo conteúdo do próprio livro", garante o colaborador do Palácio do Correio Velho. Isso torna-se sobretudo visível nos livros antigos com encadernações trabalhadas e/ou feitas a ouro.

5 - Raridade
O mercado dos livros não escapa à lei dos mercados e da procura e da oferta. Quanto menor for a oferta e maior for a procura de um determinado livro, maior a sua cotação. Ou seja, os livros dos quais se conhecem poucos exemplares, podem atingir preços astronómicos. É o caso de uma primeira edição de "Os Lusíadas", que pela sua raridade pode atingir os 250 mil euros.

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