Finanças Pessoais

18/02/13 00:12

Investimento: acções ou obrigações?

Catarina Melo e Rui Barroso

Algumas das maiores empresas do PSI20, como a Portugal Telecom e a EDP, têm uma taxa de rentabilidade dos dividendos mais elevada que os juros pagos nos seus títulos de dívida.

Investimento: acções ou obrigações?

Há 20 anos que a taxa de rentabilidade dos dividendos das acções mundiais não era tão elevada em relação aos juros pagos pelas empresas nos seus títulos de dívida, segundo dados da Bloomberg.Eem Portugal há empresas que seguem esta tendência, onde os accionistas aparentam estar a ser mais beneficiados que os obrigacionistas. APortugal Telecom, a EDP e a REN, por exemplo, têm uma taxa de rentabilidade dos dividendos estimada para este ano mais elevada que a taxa de juro com que as suas obrigações negoceiam no mercado secundário.A proporção do dividendo pelo valor da acção consegue mesmo ser mais elevado que a taxa de rentabilidade dos títulos de dívida pública nacional, tanto a cinco como a dez anos, que se situam em 5,1% e 6,2%, respectivamente.

Apesar da maior rentabilidade do dividendo de algumas empresas em relação à taxa das próprias obrigações, há factores a ter em conta na hora de optar entre acções ou obrigações. "São activos com características muito diferentes. As acções têm mais risco, mais volatilidade e o seu período de vida não tem um limite temporal pré-definido. Já as obrigações, se não houver um incumprimento, pagam sempre e o juro do cupão é fixo", realça o gestor de activos do Banco Carregosa, Rui Bárbara.

Mas mesmo sendo activos diferentes há que fazer em contas em qual estratégia pode permitir maior retorno. "Dadas as subidas expressivas das obrigações portuguesas num prazo até cinco anos, e considerando a subida dos mercados de acções creio que ainda é mais atractivo o investimento em acções de elevado dividendo. Para além da rentabilidade, o investidor fica exposto ao crescimento da empresa", refere o administrador da Dif Broker, Pedro Lino.

Mas a estratégia tem de estar em harmonia com o perfil de risco do investidor. "Esta estratégia apenas pode ser aplicada pelos investidores que estejam dispostos a ter algum risco na sua carteira", adverte Pedro Lino.

Analisando os números, constata-se que há empresas que aparentam ser mais atractivas para os accionistas do que para os obrigacionistas. Um dos exemplos é a Portugal Telecom. Com base nas estimativas dos analistas para o valor do dividendo que a empresa poderá distribuir este ano e na cotação actual da operadora, o ‘dividend yield' da empresa liderada por Zeinal Bava é de 9,5%. A confirmarem-se as previsões dos analistas ouvidos pela Bloomberg, o investimento em acções da Portugal Telecom traduz-se numa taxa de rentabilidade do dividendo bem mais elevada que a taxa de 5,214% com que as obrigações da empresa com maturidade em 2018 negoceiam no mercado secundário. A taxa do dividendo é também mais alta que o juro oferecido pela operadora quando colocou obrigações para o retalho em Junho do ano passado. Essa emissão a quatro anos foi colocada com uma taxa de 6,25%.

Outro dos exemplos é a EDP. A eléctrica negoceia com uma taxa de rentabilidade dos dividendos de 7,9%, acima dos juros de 4,452% com que os seus títulos de dívida que vencem em 2017 negoceiam. O rácio da remuneração ao accionista é também mais elevado que a emissão de obrigações para o retalho feita pela EDP em 2012, que teve uma taxa de 6%. Já a REN negoceia com uma taxa de rentabilidade do dividendo de 7,23%, acima dos 4% com que as obrigações com maturidade em 2018 negoceiam no mercado e dos 6,25% pagos numa emissão para os investidores de retalho. Uma das excepções a esta tendência dos dividendos terem taxas de rentabilidade acima das obrigações é a Mota-Engil. O ‘dividend yield' da construtora é de 4,96%, abaixo dos 6,85% que a empresa paga para colocar dívida junto dos investidores de retalho. Ainda assim, a taxa de rentabilidade do dividendo da Mota-Engil está entre as cinco melhores do PSI 20. Já a Portucel tem um ‘dividend yield' de 6,17%. A Zon e a Sonae negoceiam com este indicador em 4,5% e 4,1%, respectivamente.

Mas mesmo nas bolsas mundiais, a tendência é a de que os dividendos sejam mais atractivos que as obrigações. As empresas do índice global MSCIWorld estão a negociar com o ‘dividend yield' mais elevado das últimas duas décadas, quando comparado com a remuneração oferecida nas obrigações empresariais, segundo uma análise da Bloomberg. "As obrigações de empresas de qualidade e dívida soberana (mais segura) estão a níveis bastante caros, para não dizer em níveis de bolha. A rentabilidade que oferecem nem sequer compensa a inflação. Mesmo as obrigações de tipo ‘high yield' estão em mínimos históricos e nunca pagaram tão pouco. Já não incorporam sequer o risco de ‘default'", constata Rui Bárbara. Já em relaçãoàs acções, o director refere que " oferecem retornos mais interessantes, em termos relativos, embora em termos absolutos, possam não estar necessariamente no melhor ponto de compra".

x
Comentários
Disclaimer
"O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
x
Recomendadas
x
Social
    0 LEITORES ONLINE