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Análise BPI

Indicadores económicos melhoram mas incerteza permanece

Teresa Gil Pinheiro, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI  
16/12/11 17:00

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A semana passada ficou marcada pela divulgação de um conjunto de indicadores económicos mais satisfatório do que o antecipado.

Destes destacam-se os comportamentos dos PMI chinês e europeu, bem como dos dados relativos à evolução do mercado de trabalho nos EUA e actividade no sector das manufacturas. Ainda assim, a Reserva Federal norte-americana manteve uma posição cautelosa na reunião de 13 de Dezembro, reconhecendo as melhorias observadas, mas chamando a atenção para a permanência de riscos negativos.

Começando pelos EUA, refere-se o bom desempenho das vendas a retalho durante o mês de Novembro, contribuindo para uma boa performance do PIB no quarto trimestre. Relembra-se que o consumo privado representa cerca de 2/3 do produto norte-americano.

Mas as boas notícias foram também evidentes na evolução dos pedidos semanais de subsídio de desemprego, que na última semana caíram para mínimos dos últimos 3.5 anos, dando suporte a que o consumo privado continue a evoluir favoravelmente em Dezembro. Finalmente, os sinais do lado da oferta foram também positivos, observando-se a melhoria do indicador de actividade da Fed de Filadélfia.

Este facto consolidou o sentimento de que a quebra da produção industrial observada em Novembro terá sido um evento pontual. Relembra-se que já nas semanas anteriores os indicadores económicos relativos à principal economia mundial sugeriam um ritmo de crescimento mais satisfatório do que o antecipado no fim do Verão.

As declarações que se seguiram à realização da reunião de política monetária da Reserva Federal norte-americana de 13 de Dezembro, reconheceram as melhorias referidas. Mas a avaliação global manteve um teor bastante cauteloso, evidenciando a existência de significativos riscos negativos e não imunidade da principal economia mundial aos efeitos da crise de divida soberana europeia.

Com efeito, na zona do euro, a resposta do mercado às decisões saídas da cimeira de 8 de Dezembro da UE não foi entusiasmada. Embora reconhecendo os progressos obtidos, o mercado manteve-se focado no risco de implementação. Incertezas quanto à decisão de atribuição de fundos adicionais ao FMI e a possibilidade de que a necessária aprovação parlamentar de algumas das medidas acordadas se revele mais difícil do que o previsto, marcaram o sentimento de mercado.

Disciplina orçamental, sanções automáticas e coordenação económica são passos necessários e bem vindos para a resolução da crise de dívida soberana, mas deixam pouca flexibilidade à política fiscal dos países-membros, sugerindo o possível embate em dificuldades na sua implementação.

Pela positiva, refere-se o comportamento do indicador ZEW alemão e dos PMI's para os sectores da manufactura e serviços, os quais embora continuando em território indicativo de contracção da actividade, foram menos negativos do que o antecipado, sobretudo nas principais economias, já que nos países mais afectados pela crise de dívida soberana, incluindo Espanha, o comportamento reflectiu a deterioração da confiança do agentes económicos.

Também positiva foi a melhoria do PMI das manufacturas chinês, o qual ainda que mantendo-se abaixo do nível 50 - indicando queda da produção - afastou receio de um arrefecimento acentuado desta economia e respectivos efeitos a nível global.

Durante esta semana, destaca-se a divulgação de indicadores relativos ao comportamento do mercado imobiliário norte-americano, antecipando-se o reforço dos sinais de melhoria gradual.

Ainda assim, importa ter presente que este mercado ainda está bastante debilitado. Também nos EUA importa acompanhar o comportamento da confiança dos consumidores, a qual poderá registar melhorias tirando partido dos melhores indicadores relativos ao mercado de trabalho.

Na zona euro, destaca-se a publicação de diversos indicadores de sentimento, antecipando-se que os mesmos continuem a reflectir a incerteza reinante.

 

 

 




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