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Vítor Gaspar disse hoje os incentivos têm sido insuficientes para contrariar a tendência de queda da poupança.
"Acumulámos durante mais de uma década excessivo endividamento", afirmou o responsável, durante a cerimónia de tomada de posse da nova mediadora do crédito, Maria Clara Machado, apontando para os dados do Banco de Portugal, de junho de 2011, que revelam que o endividamento das famílias é de 130 por cento face ao rendimento disponível. Vítor Gaspar acrescentou que a taxa de poupança em Portugal "é baixa quando comparada com a de outros países da zona euro", salientando que "os incentivos à poupança têm sido, até agora, insuficientes".
O governante frisou que a desalavancagem exigida ao setor financeiro terá impacto sobre o crédito concedido, considerando que um dos desafios que se coloca à economia portuguesa é conciliar a redução do endividamento das famílias com respeito pelas necessidades de quem recorre ao crédito. Daí, defendeu a promoção da literacia financeira dos portugueses, já que só com cidadãos "bem preparados financeiramente" se forma "uma sociedade mais capaz". De resto, a promoção do conhecimento dos portugueses sobre as matérias financeiras é uma das prioridades estipuladas pela nova mediadora do crédito. "O estudo sobre literacia financeira promovido [no ano passado] pelo Banco de Portugal revela que há grupos populacionais com carências, sobretudo, os cidadãos com baixos níveis educacionais e de rendimento", realçou Maria Clara Machado, explicando que esta lacuna "dificulta a capacidade para a escolha de produtos adaptados às suas necessidades e perfis de risco".
Sobre a sua nova missão como mediadora do crédito, substituindo João Amaral Tomaz, que foi para o Banco de Portugal, a responsável disse que o seu objetivo é "ser útil para o país", num período de dificuldades económicas, financeiras e sociais. Além de dar continuidade ao trabalho do seu antecessor, Maria Clara Machado quer que a entidade que lidera ajude a "garantir os direitos de quem recorre ao crédito" e "dinamizar a relação entre os clientes e os bancos", pretendendo para tal que a figura do mediador de crédito ganhe maior visibilidade. "O número de pedidos de mediação mantém-se em níveis baixos", revelou, explicando que esta entidade está pronta para ajudar os particulares e as empresas, "em especial as pequenas e médias empresas (PME)" a resolverem as suas dívidas junto da banca. Sobre os pedidos que chegam ao mediador de crédito, Maria Clara Machado disse que a maioria se prende com "a renegociação e a consolidação de créditos".
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