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Media internacionais dizem que o veto deve ser anulado por Bruxelas a 8 de Julho. Analistas dizem que "os investidores foram ignorados".
O espanhol Expansión faz manchete com o título: "Governo português usa 'golden share' para impedir a compra da Vivo pela Telefónica". Explica o jornal que a assembleia-geral da PT aprovou a oferta da Telefónica para que a operadora portuguesa vendesse a sua participação na Vivo, a operadora móvel líder no mercado brasileiro, mas o Governo de José Sócrates decidiu vetar a operação, utilizando o direito de veto que lhe concede a sua ‘golden share'.
O Expansión adianta que "de qualquer forma, a 'golden share' será, provavelmete, considerada ilegal no próximo dia 8 de Julho, visto que é nessa data que o Triibunal de Justiça europeu vai publicar a sua decisão" sobre a matéria. E acrescenta que o veto português "coloca o também português presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, numa situação muito difícil, pois pode ver-se obrigado a actuar contra o seu país".
Veto português provoca "Mal-estar em Bruxelas"
O também espanhol El Mundo não usa um título muito diferente e diz que o "Governo português usa a sua golden share para impedir a venda da Vivo". Com esta manobra, continua o periódico, "o Executivo português deita por terra os planos de expansão da Telefónica no Brasil, ao mesmo tempo que provoca mal-estar em Bruxelas".
O El Mundo diz ainda que "depois de um longo processo burocrático, a ‘golden share' do Governo de José Sócrates arrisca-se a ser anulada por Bruxelas no próximo dia 8 de Julho, razão pela qual os analistas não descartam o início de uma luta legal por parte da empresa espanhola".
Decisão abala confiança nas empresas portuguesas
Também os media norte-americanos dão destaque à notícia portuguesa.
A Bloomberg noticia na sua página principal que "Portugal usa a Golden Share para bloquear a oferta da Telefónica pela Vivo".
"Os investidores foram ignorados", comentou Francisco Salvador, especialista do Iberian Equities em Madrid, à agência noticiosa. "Isto vai abalar a confiança nas empresas portuguesas", acrescentou o mesmo perito.
O Finantial Times, por seu turno, escreve que "Lisboa bloqueou a oferta da Telefónica pela Vivo". E nota que "a intervenção controversa, que deve levantar fortes objecções por parte dos accionistas e da Comissão Europeia, surgiu depois de 74% dos accionistas ter votado a favor da oferta do grupo espanhol", que se propôs pagar 7,15 mil milhões de euros pelos 30% que a PT detém na Vivo, através da 'holding' Brasilcel.
Bruxelas é contra intervenção dos Governos nas empresas
Citada pelo Expansión, e antes de saber que o Executivo de Sócrates tinha vetado a venda da Vivo aprovada pelos accionistas da PT, a vice-presidente da Comissão Europeia, a comissária Neelie Kroes, manifestou a sua oposição a que os governos intervenham em decisões empresariais, referindo-se à recomendação do primeiro-ministro português de que a PT não devia vender a Vivo à Telefónica.
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