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José Sócrates é hoje duramente criticado em toda a imprensa espanhola por ter chumbado a compra da Vivo com a 'golden share' da Portugal Telecom.
"Sócrates é culpado e Bruxelas mais", lê-se num dos artigos mais críticos, publicado na edição de hoje do económico Expansion, que dedica a manchete ao assunto.
"Se a Telefónica fosse uma empresa norte-americana, a esta hora já haveria escritórios de advogados a trabalhar em acções colectivas para fazer o Estado português pagar os prejuízos que a acção do seu Governo provocou nos accionistas da primeira operadora espanhola", escreve.
O duro artigo considera mesmo que a utilização do 'golden share' para ir contra a vontade da "grande maioria" dos accionistas da PT, "demoliu-se a reputação de Portugal como país em que fazer negócios" e a da PT "como empresa orientada aos accionistas.
"Mas isso a Sócrates não lhe importa, por agora. O seu interesse centra-se mais na próxima sondagem eleitoral", escreve o articulista.
O autor do artigo considera que José Sócrates "é o principal responsável da situação", tendo sido "as suas pressões" que obrigaram a Telefónica a reforçar a oferta por duas vezes e que levaram até a CMVM a decidir que a venda de parte da participação da operadora espanhola não se tinha concretizado.
"Quem fica também numa situação mais que incómoda e extremamente vulnerável é Zeinal Bava. Não seria estranho que o rocambolesco da decisão de ontem do Governo português possa custar-lhe a cadeira na PT", escreve.
O próprio director do Expansion dedica ao assunto um vídeo editorial, no qual considera que a golden share é "anacrónica e desfasada", sendo "um instrumento que usam os países mais proteccionistas para impedir a compra de empresa por investidores estrangeiros".
A cobertura do jornal arranca com um artigo igualmente crítico, intitulado "Portugal contra Telefónica e PT".
O Cinco Dias, outro dos económicos, também dedica bastante atenção ao assunto, com um artigo em que reúne as principais reacções de "censura unânime à acção do Governo português".
O El Mundo refere que "esta manobra" do Governo português "trava os planos de expansão da Telefónica no Brasil, ao mesmo tempo que provoca mal-estar em Bruxelas".
"Depois de um longo processo burocrático, a acção de ouro [golden-share] do Governo de José Sócrates na PT ia ser anulada em Bruxelas no próximo dia 8 de Julho, pelo que os analistas não descartam o início de uma batalha legal por parte da empresa espanhola", escreve.
A notícia está a ser destacada por toda a imprensa.
"Telefónica arrasa na reunião da PT e o Governo português veta a venda da Vivo", escreve o Cinco Dias, referindo que a operadora espanhola obteve 74% dos votos a favor da operação.
"A surpresa saltou na reunião da PT. O Estado português exerceu a acção de ouro [golden-share] de que dispõe para se opor a operações de desinvestimento na PT e vetou a operação", considera o jornal.
O El País recorda que a golden-share usada por Portugal "é considerada ilegal para Bruxelas", num artigo em que explica os resultados da assembleia de accionistas.
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