Na sexta-feira ao final do dia ficou-se a saber que a esmagadora maioria dos bancos europeus (84 em 91) passaram os testes de resistência do BCE. Uma óptima notícia que vai ser hoje colocada à prova.
Depois dos ‘stress tests' formais dos banqueiros centrais, hoje a banca europeia vai ter de passar a prova da realidade: a reacção dos mercados. E todos sabemos como os investidores são voláteis, nervosos e adoram partilhar o seu stress com todos os que vivem na sua órbita. Assim, não é certo que as acções dos bancos subam hoje mais depressa do que um foguetão a caminho da lua.
A questão-chave chama-se credibilidade. Não só nos bancos mas antes disso nos próprios testes de resistência. Os mais cínicos dizem que o resultado final estava combinado porque os bancos tiveram acesso à resolução do exame antes de o fazer. Não é verdade e é preciso dizê-lo com todas as letras. Contudo os resultados finais não ajudam a calar os mais desconfiados. Só sete chumbos em 91 bancos e necessidades adicionais de financiamento de apenas 3,5 mil milhões de euros em toda a Europa para sobreviver ao pior dos cenários sabe a pouco.
Mas é preciso ter cuidado antes de chamar charlatães aos banqueiros centrais. Há razões para que os resultados na Europa sejam melhor que nos Estados Unidos. Desde logo os ‘timings'. Ainda estamos em crise mas as águas estão mais calmas agora do que no período em que os testes foram feitos no outro lado do Atlântico. E vários Estados europeus já promoveram a recapitalização de alguns dos seus bancos permitindo que agora façam boa figura.
Desta forma, os mercados devem no mínimo dar o benefício da dúvida e não ter a posição jornalística: quanto pior, melhor. No caso da banca, não é assim. O sistema financeiro é o cérebro das economias modernas. Quando não está bem, tudo à volta funciona torto. Perante isto, os bons resultados reforçam a credibilidade da banca e deve aumentar a confiança de todos, contribuindo para restabelecer o normal funcionamento dos canais de financiamento da economia. Sem isto, o dinheiro não chega às pessoas e às empresas e não há crescimento económico e baixa do desemprego. Esta é a responsabilidade dos bancos e a sua missão.
No caso português, uma menção especial para o BPI, liderado por Fernando Ulrich, que ficou no top 20 dos bancos europeus mais sólidos ao lado de gigantes como o HSBC, que já foi o maior banco do mundo. É a prova de que não há fatalismos na vida. Uma estratégia de gestão antecipada e correcta pode construir um escudo suficientemente forte para resistir aos mísseis das crises externas.
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Bruno Proença, Director Executivo
bruno.proenca@economico.pt
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