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Rui Vilar lembra que Portugal é o único país da União Europeia sem código de ‘corporate governance' emanado da sociedade civil.
Emílio Rui Vilar, ex-presidente da Fundação Gulbenkian, foi há 25 anos o presidente do primeiro júri dos prémios Investor Relations & Governance Awards, na altura Prémio Melhor Relatório e Contas. Hoje reconhece que há mudanças para melhor, mas também que está muito por fazer em matéria de divulgação de informação e transparência por parte das empresas.
Como era atribuir o Prémio Relatório e Contas há 25 anos?
Naquela altura, o grau de exigência em matéria de prestação de contas era muito diferente. Não havia todo um conjunto de normas que hoje são exigidas pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), as empresas tinham muito menos interiorizado, se acaso algumas o tivessem, as boas práticas de ‘corporate governance' e também era muito menos sofisticada a relação das empresas com o mercado e com os investidores. Naquela altura seriam muito poucas as empresas que tinham nos quadros pessoas especializadas na relação com os investidores. O nosso trabalho era muito baseado na comparação dos Relatórios e Contas das empresas, e na comparabilidade em termos de qualidade de informação, em termos de detalhe entre uns e outros. Faltavam, como hoje existem, ‘benchmarks', objectivos de análise.
Há 25 anos o que fazia um bom relatório e contas? Que critérios eram analisados?
Era sobretudo a quantidade e a qualidade da informação, visto que havia muitos relatórios e contas em que a informação era extremamente reduzida, em que a auto-avaliação da empresa era praticamente inexistente. Muitos relatórios não tinham carta do presidente, as notas ao balanço eram as estritamente necessárias e a própria redacção muitas vezes parecia mais trabalho dos auditores do que um exercício efectuado pelas empresas.
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