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Renovação no BCP

Há 26 gestores impedidos de se candidatarem ao BCP

Tiago Freire  
28/12/07 01:05


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De Filipe Pinhal a Josep Oliu, do Sabadell todos estão impedidos de integrar listas. Banco de Portugal fez “apelo” ao bom senso dos accionistas mas não inibiu ninguém.

Foi Fernando Ulrich quem explicou, de viva voz, aquilo que realmente se passou na reunião de Vítor Constâncio com os principais accionistas do BCP, e que acabou por deitar por terra a candidatura de Filipe Pinhal ao próximo mandato à frente do maior banco privado nacional. Afinal, não há qualquer inibição. E nem poderia haver, uma vez que não há ainda qualquer conclusão final ou oficial sobre as alegadas irregularidades no BCP e os seus responsáveis. O Governador do Banco de Portugal alertou que todos os titulares de cargos de administração ou fiscalização do BCP desde 1999 “poderiam vir a ter problemas” no que toca às conclusões dos inquéritos em curso, da responsabilidade dos supervisores. E mais, Vítor Constâncio “fez um apelo” a que os mesmos accionistas - detentores de mais de 2% do capital do banco - encontrassem uma lista de consenso para os órgãos sociais, que não incluísse nenhum dos responsáveis sob quem pende a “espada” do regulador.

E são nada menos que 26 os gestores que, fruto dessa recomendação, não poderiam ter o apoio dos accionistas numa eventual candidatura aos órgãos sociais do banco.

Alguns nomes se destacam neste grupo. À partida Jorge Jardim Gonçalves, fundador do banco e que foi, no seu longo percurso ao serviço do BCP, ao mesmo tempo administrador executivo e supervisor da instituição, no conselho de administração e no conselho geral e de supervisão, tendo presidido a ambos. Depois também Paulo Teixeira Pinto está “inibido” de concorrer, agora que os seus adversários internos estão prestes a abandonar o banco. O próprio Teixeira Pinto já assumiu que não queria assumir novos cargos de direcção no sistema bancário, mesmo se tal lhe fosse possível no BCP. No mesmo grupo estão todos os actuais membros do conselho de administração executivo, entre eles Filipe Pinhal, o CEO, Christopher de Beck, seu braço direito, e dois gestores fiéis a Teixeira Pinto, Francisco Lacerda e António Castro Henriques. Há ainda doze nomes que, nunca tendo sido administradores do banco, ocuparam cargos de fiscalização, ou no conselho fiscal, primeiro, ou no conselho geral e de supervisão, que lhe sucedeu aquando da reorganização do modelo de governação do BCP. Entre estes nomes destaca-se o de Josep Oliu, presidente do Sabadell, accionista de longa data do maior banco privado português, com quem tinha uma parceria estratégica que deu poucos frutos. Ou seja, Oliu não reúne condições para uma académica candidatura ao lugar de administrador do BCP, mas não consta que os accionistas do Sabadell não lhe reconheçam a capacidade para liderar o banco catalão.

Na prática, esta “razia” dos 26 administradores que ocuparam cargos de responsabilidade desde 1999 reduz muito a margem de escolha para a lista de Carlos Santos Ferreira, dificultando a presença de membros não apenas experientes mas que têm um profundo conhecimento da direcção do banco. Daí a escolha de Paulo Macedo, quadro de longa data do BCP mas que nunca se sentou no conselho de administração ou no órgão de fiscalização do banco. O mesmo pode ser dito de José João Guilherme, Nélson Machado e Luis Pereira Coutinho, que terão o papel de ajudar à adaptação dos novos membros da equipa dirigente do BCP.    

Resta esperar pelo resultado final das investigações, que deverão identificar, pelo menos, os autores materiais das alegadas irregularidades.


Alguns casos mediáticos entre os administradores “inibidos”

Josep Oliu Creus, Presidente do Sabadell
O presidente do espanhol Banco de Sabadell não poderia, mesmo se quisesse, candidatar-se a um órgão social no BCP. Isto porque fez parte do Conselho Geral e de supervisão, órgão que substituiu o Conselho Fiscal no controlo da actividade da administração do banco. Apesar de a sua actuação ser meramente institucional, em representação do accionista Sabadell, está também no grupo que, genericamente, poderia ou deveria ter conhecimento das alegadas irreguladidades.

Paulo Teixeira Pinto, Ex-CEO do BCP e Conselheiro da Soeicom
Alguns accionistas que agora apoiam Santos Ferreira gostariam de voltar a vê-lo como líder do BCP, mas tal não é possível depois da recomendação de Vítor Constâncio. Homem ligado ao PSD, fez um percurso discreto mas seguro no BCP, até chegar a número 1. Saiu depois do conflito com Jardim Gonçalves e é actualmente consultor da Soeicom, da família Champalimaud.

João Talone, Gestor da Magnum Capital Partners
Este administrador, que muitos viam como o sucessor de Jardim Gonçalves, saiu do conselho de administração no início da década, mas não se livra de ser incluído na lista daqueles cuja hipotética candidatura não é recomendável. Ajudou, enquanto consultor, a redesenhar a estrutura energética do país e foi posteriormente CEO da EDP. Dedica-se actualmente à gestão do ‘private equity’ ibérico da Magnum Capital Partners, que detém em parte.

Miguel Cadilhe, Economista e professor
Este antigo ministro das Finanças, gestor bancário, economista e actualmente professor universitário no Porto fez parte da administração do BCP até 2002. Desde aí passou pela liderança da Agência Portuguesa para o Investimento (API), de onde saiu no final de 2005. Era o nome dado como favorito da Teixeira Duarte para substituir Jardim Gonçalves como presidente do Conselho Geral e de Supervisão.

Pedro Líbano Monteiro, Presidente do Banco Primus
Saiu do conselho de administração do BCP na mesma altura que João Talone, em desacordo com o rumo seguido pelo banco no qual trabalhou cerca de 15 anos. Foi presidente do ICEP Portugal e do IAPMEI, fez parte do grupo que liderou o Compromisso Portugal e fundou o Banco Primus, a que preside, instituição que se dedica à consolidação de créditos bancários.

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