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O antigo primeiro-ministro considera que tem faltado "clareza" à Europa na forma de lidar com a crise financeira.
Falando a jornalistas portugueses à margem de uma reunião no
Parlamento Europeu na qual participou na condição de Alto
Representante das Nações Unidas para os Refugiados, o antigo governante lamentou que essa falta de clareza da Europa acabe por afectar também países que estariam "porventura numa posição relativamente tranquila", como Portugal.
O antigo primeiro-ministro disse por isso esperar "que muito brevemente seja clarificado o pacote de apoio à Grécia e que isso tenha um efeito apaziguador nos mercados internacionais em geral em relação a outros Estados europeus".
António Guterres indicou que, "como cidadão português e cidadão europeu", tem acompanhado a evolução recente dos acontecimentos e disse que, "mais uma vez", aquilo que o preocupa "é o facto de não haver clareza na assunção, por parte da Europa, em relação a estas diferentes crises financeiras que se têm vindo a suceder, numa política e num caminho".
"E quando há incerteza, quando não se sabe qual vai ser no final a solução, como temos visto em relação à crise grega, obviamente os mercados reagem da forma como reagem, e isso tende a agravar as situações, e mesmo países que estariam porventura numa posição relativamente tranquila acabam também por ser afectados e isso deve ser uma fonte de preocupação para todos os europeus", sustentou.
Guterres insistiu que "o que é sempre indispensável nestas situações é clareza", independentemente do sentido do caminho a seguir, pois "o não haver caminho, a incerteza é aquilo que favorece aqueles que procuram aproveitar essa instabilidade para fazer os seus próprios lucros e isso faz-se à custa da estabilidade económica dos países".
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