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Finanças Pessoais

13 Abr 2012

Guia para preencher o IRS sem dores de cabeça

Alexandra Brito
Guia para preencher o IRS sem dores de cabeça

Se tem dificuldades em preencher a sua declaração saiba como contorná-las.

Se para si a sigla IRS é sinónimo de pesadelos, se pertence ao grupo de pessoas que quando está perante o formulário do modelo 3 sente que está a olhar para um papiro egípcio cheio de hieróglifos, não desanime. Isto porque existem cada vez mais sites que disponibilizam informação fiscal que ajudam os contribuintes a preencher devidamente a sua declaração de IRS. E para muitos portugueses este ritual já começou desde 1 de Abril, data em que arrancou o período de entrega das declarações pela internet dos contribuintes com rendimentos ganhos por conta de outrem e dos pensionistas.

Chegou pois a hora de retirar da gaveta, a pasta ou o dossier onde guardou as despesas de educação, habitação e saúde efectuadas durante o ano passado e que deverá apresentar ao fisco para tentar reduzir a sua factura fiscal. Para simplificar a tarefa de preenchimento da declaração, a Deco Proteste, por exemplo, disponibiliza aos seus subscritores uma ferramenta online que permite preencher e entregar a declaração sem que tenha de entrar no portal das finanças. Segundo a instituição, esta plataforma permite simular o valor a pagar ou a ser devolvido pelo fisco, sendo que à medida que a pessoa vai preenchendo o formulário, encontrará informações complementares que o ajudam a superar dúvidas de preenchimento, sem ter de sair da aplicação.

Ciente das dificuldades com que muitos portugueses se debatem nesta fase do ano, Celso Pinto, juntamente com três sócios, criaram um portal, o www.modelo3.pt, direccionado para ajudar os contribuintes particulares no preenchimento do IRS. Lançado no início de Março, em apenas um mês conseguiu atrair 30 mil clientes. "A ideia de fazer este portal surgiu do facto de considerarmos que o processo de entrega da declaração de IRS poderia ser muito melhorado. As pessoas têm de ser autênticas especialistas para conseguirem compreender os formulários e preencher correctamente todos os campos da declaração. E têm também de ser verdadeiros especialistas para optimizarem todos os benefícios fiscais do seu IRS", explica Celso Pinto. E adianta: "Muitas vezes os contribuintes esquecem-se de preencher alguns campos da declaração, e essas omissões levam-nas a desperdiçar muito dinheiro". Celso Pinto refere que há cálculos que mostram que os portugueses desperdiçam em média 450 euros em cada declaração de IRS. Para reverter essa situação, o portal Modelo 3 está desenhado para que, à medida que o cliente for fazendo a sua simulação de IRS, o site apresenta as sugestões de preenchimento que o poderão a ajudar a optimizar a sua factura fiscal. Estas simulações são gratuitas. Mas se quiser enviar a declaração para as finanças, com a optimização automática do reembolso calculada pelo portal, terá de pagar uma comissão de 9 euros por ano. Além disso, ao longo do ano ser-lhe-ão enviadas sugestões de poupança fiscal. Por exemplo, se é uma pessoa que apresenta normalmente muitas despesas médicas, o portal poderá sugerir-lhe a contratação de um seguro de saúde. Este site tem ainda um serviço mais alargado, especialmente direccionado para aqueles que precisam de aconselhamento fiscal personalizado e que custa 14,99 euros por mês. O site tem a aprovação da Autoridade Nacional de Protecção de Dados e apresenta o mesmo nível de segurança e protecção que os sites dos bancos.

O sucesso que este projecto- levado a cabo por especialistas em informática e um mestre em contabilidade- regista em tão pouco tempo, está a levar até as próprias empresas de contabilidade a recorrerem ao portal para preencherem de forma rápida e simples as declarações de IRS dos seus próprios clientes.

Outra solução que os contribuintes poderão utilizar será o recurso aos serviços de especialistas em contabilidade para ajudá-los no preenchimento do IRS. Sofia de Sousa é técnica oficial de contas e, nesse âmbito, presta serviços também a clientes particulares que necessitem de ajuda no IRS. "A grande vantagem de se recorrer aos serviços de um técnico oficial de contas é que as pessoas têm a certeza de que fica tudo bem preenchido e que todos os benefícios fiscais são devidamente aproveitados. A vida das pessoas hoje em dia é tão ocupada que, para muitas delas, preencher a declaração é muita tarefa que lhes rouba tempo e causa muitas preocupações. Assim, recorrendo aos serviços de técnicos, as pessoas sentem-se mais descansadas", assegura Sofia Sousa. Esta técnica exemplifica que existem algumas situações com benefícios fiscais associados e que muitas vezes as pessoas desconhecem que podem deduzi-las na sua declaração. Por exemplo, se um contribuinte colocou uma lareira ou recuperador de calor em casa (ou se eventualmente terá substituído uma ou mais janelas) poderá deduzir esse valor na declaração.

Mas não é apenas para maximizar o reembolso do IRS que os particulares recorrem aos serviços de um especialista. Sofia Sousa refere que em determinadas situações, como quando um contribuinte vende ou compra uma casa, ou quando há um óbito ou ainda quando está em causa a declaração de mais-valias com acções, que os contribuintes particulares têm algumas dúvidas em saber como devem comunicar essas operações ao fisco e, por isso, recorrem a uma terceira pessoa.

Sofia Sousa diz ainda que os custos associados a estes serviços variam consoante a categoria de rendimentos e a fase de entrega. Para a primeira fase, e para as categorias A e H, o preço é 25 euros. Para as outras categorias de rendimentos, o preço é 35 euros. Sobre a declaração deste ano, a técnica oficial de contas adianta que "não vai ser mais complicado preencher o IRS este ano, o problema vai ser o reembolso final que este ano será menor do que aquele que as pessoas estavam habituadas a receber. E para o ano será ainda pior", assegura.

Dicas a ter em conta

- Optar pela entrega da declaração pela internet pode ser mais vantajoso, já que quem o fizer receberá mais rapidamente o valor do reembolso.

- A Deco aconselha os contribuintes a não usarem impressos de anos anteriores como "cábula" para o preenchimento. Isto porque os locais de declaração e os códigos podem ter mudado.

- Tenha em atenção aos prazos de entrega da declaração. Os atrasos são penalizados com multas a partir de 50 euros.

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