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Função Pública

Greves paralisam trabalhadores públicos e privados por toda a Europa

Mónica Silvares  
05/03/10 06:20

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Portugal, Grécia e Reino Unido são os países mais afectados pelas paragens da Função Pública.

Portugal, Grécia e Reino Unido estão todos a braços com greves da Função Pública. As razões são as mesmas: insatisfação com as propostas salariais, que resultam da necessidade dos respectivos Executivos cortar na despesa pública num esforço para equilibrar as contas públicas.

Em Atenas centenas de manifestantes invadiram ontem o Ministério das Finanças, num movimento de protesto contra o plano de austeridade revelado no dia anterior pelo Executivo (ver pág. 16 e 17) e no Reino Unido espera-se que 270 mil funcionários públicos britânicos vão aderir à greve de 48 horas convocada a partir da próxima segunda-feira, pelo Sindicato dos Serviços Públicos e Comerciais (PCS). Um porta-voz da estrutura sindical explicou que a decisão de partir para a greve - apoiada por 63,4% dos membros do sindicato - surgiu na sequência da resolução do Governo mudar o esquema de indemnização dos trabalhadores que são despedidos. O sindicato teme que estas alterações abram caminho a um despedimento facilitado dos funcionários públicos, independentemente de quem vencer as eleições. O Executivo de Gordon Brown considera que estas alterações são essenciais para conseguir uma poupança de 500 milhões de libras (553,5 milhões de euros) com ganhos de eficiência - o objectivo é reduzir um em cada cinco funcionários públicos ao longo dos próximo quatro anos - e garante que os serviços estão "bem preparados" para qualquer greve.

A insatisfação dos britânicos estende-se ainda às universidades. Centenas de trabalhadores da Universidade de Sussex vão partir para a greve, que não tem ainda data definida, porque está previsto o despedimento de 550 trabalhadores.

Na Polónia, a greve que estava agendada para ontem foi cancelada, num compromisso de última hora, quando o Parlamento alterou a lei que aumentava a tributação sobre os lucros. Apesar de com esta decisão o primeiro-ministro, Jan Fischer, ter evitado a paralisação do país, são esperadas dificuldades no Senado, onde a direita tem a maioria.

Descontentamento também no privado

A onda de descontentamento que alastra pela Europa também se estende ao sector privado. Na Finlândia, por exemplo, os trabalhadores dos portos partiram para a greve, depois do fracasso das negociações entre os operadores dos portos e os sindicatos. Esta decisão já teve consequências económicas já que os fabricantes de papel UPM e Stora Enso tiveram de, temporariamente, parar a produção nas suas fábricas finlandesas, uma decisão cujo impacto financeiro em ambas as empresas ascende a 5,5 milhões de euros por dia. Esta greve surge um dia depois de uma paragem de protesto dos trabalhadores finlandeses dos transportes rodoviários que suspenderam a entrega de matéria-prima às papeleiras.

O sector dos transportes aéreos também está ao rubro. A British Airwais está a braços com uma ameaça de greve do pessoal de cabine, nas próximas semanas, devido a mudanças nos salários e condições de trabalho. A administração, para causar o menor impacto possível aos passageiros já começou a treinar seis mil trabalhadores de terra para as funções de cabine. Também na Alemanha a Air Berlin os pilotos vão marcar uma greve nos próximos dias. O sindicato Vereinigung Cockpit, que esteve envolvido também na greve da Lufthansa, pretende apanhar de surpresa a Air Berlin e a sua subsidiária LTU já que a acção de protesto pode ser convocada, ou desconvocada, apenas com horas de diferença. No mesmo sector, mas do outro lado Atlântico, as assistentes de bordo da American Airlines também ameaçam fazer greve, no espaço de um mês, após 20 meses de negociações fracassadas sobre os contratos.





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