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Nouriel Roubini considera que, nesta altura, para sair da crise, a Grécia precisa de regressar ao dracma.
Num artigo de opinião publicado hoje no Financial Times, Roubini afirma que "a Grécia está presa num ciclo vicioso de insolvência, baixa competitividade e uma depressão cada vez mais profunda".
Roubini, o economista que ficou conhecido por antecipar a crise financeira de 2008 dos EUA, defende que "a Grécia "deve começar já uma reestruturação ordeira, abandonar o euro de forma voluntária e regressar ao dracma".
O professor da universidade de Nova Iorque recomenda uma "forte desvalorização" da moeda nacional, algo que o euro não permite, de modo a restaurar rapidamente a competitividade e o crescimento da Grécia. Roubini lembra que este foi o caminho seguido, com sucesso, pela argentina, em 2001, e por outros países emergentes.
Roubini alerta, contudo, que a saída da Grécia do euro provocaria perdas avultadas aos principais bancos da zona euro, mas que seriam ultrapassáveis se as instituições forem "agressivamente recapitalizadas". Outro problema seria a escalada da dívida grega.
No artigo, o economista diz ainda que o recente acordo de troca de títulos de dívida que a Europa ofereceu à Grécia é um "roubo", fornecendo muito menos alívio à dívida helénica do que o país precisava. Por isso, aconselha Atenas a rejeitar o acordo e a renegociar outro que seja melhor.
Porém, frisa Roubini, mesmo que fosse dado um alívio significativo à dívida grega, o país não seria capaz de voltar ao crescimento, a menos que a competitividade fosse rapidamente restaurada. "Sem um regresso ao crescimento, as dívidas vão permanecer insustentáveis", alerta.
O guru nota ainda que "outros países periféricos têm problemas de sustentabilidade de dívida e de competitividade do estilo da Grécia". E avisa: "Portugal, por exemplo, pode eventualmente ter que reestruturar a sua dívida e sair do euro".
Quanto à Itália e Espanha, Roubini considera que são duas economias "potencialmente solventes", mas que irão necessitar de financiamento da Europa, independente da Grécia sair ou não do euro.
E conclui: "que não haja enganos: uma saída ordeira do euro vai ser difícil, mas assistir à lenta implosão desordeira da economia grega e da sociedade vai ser muito pior".
Os receios de que a Grécia entre em incumprimento e abandone a zona euro crescerem nos últimos dias, perante a incapacidade de Atenas cumprir as metas orçamentais acordadas com a União Europeia e o FMI em troca de um resgate de 110 mil milhões de euros, devido ao agravamento da recessão no país em resultado das medidas de austeridade draconianas.
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