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Grécia: milagres demoram mais tempo

F.T.  
23/02/12 07:58

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Em Casablanca Ferrari dizia a Victor Laszlo: “Posso ser franco consigo, Monsieur. Será preciso um milagre para tirá-lo de Casablanca, e os alemães baniram os milagres.”

O mesmo acontece com a Grécia. E será preciso um milagre para que Atenas cumpra os objectivos quase impossíveis traçados pelos seus amigos em Bruxelas e em Berlim. O principal pressuposto por trás do mais recente resgate é que o rácio da dívida deste país cairá para 120% do PIB em 2020 caso a Grécia implemente fortes medidas de austeridade. Mas qual a probabilidade de tal milagre ocorrer?

O que podemos dizer quanto ao resgate de 130 mil milhões de euros é que volta a erguer mais uma barreira atrás da qual a Grécia ficará, a partir de agora, em quarentena. Os restantes países da zona euro que se encontram numa situação vulnerável vão poder respirar melhor. Mas, na Grécia, este resgate provavelmente fará mais mal do que bem. O seu rácio da dívida é de 165% do PIB. Um acordo com os credores do sector privado deverá reduzir a dívida do Estado em cerca de 107 mil milhões de euros, segundo o HSBC. Mas isto abreviará apenas meio caminho até ao objectivo de 120%. 

As medidas de austeridade podem fazer com que este objectivo seja ainda mais difícil de atingir. A ênfase, posição defendida sobretudo pelo Fundo Monetário Internacional, vai para o aumento da competitividade por parte da Grécia. O FMI calcula que os custos laborais terão caído 2,5% em 2011, mas que estes ganhos foram afectados pela subida do euro, o que significa que a taxa de câmbio efectiva do país se manteve inalterada. O fosso em matéria de competitividade com os seus parceiros comerciais pode demorar uma década a colmatar, como as estimativas sugerem. Trata-se de uma situação que pode ser resolvida mais rapidamente com a entrada de fluxos de capital estrangeiro, se bem que este resgate não incentive ninguém a investir na Grécia. Os efeitos da austeridade podem alterar esta dinâmica, mas isso não será para já.

Este foi o momento certo para resolver o problema da dívida grega de uma vez por todas, amortizando em vez de desvalorizar. Este resgate deu a todos um pouco mais de tempo para se habituarem à ideia.

Tradução de Carlos Tomé Sousa





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