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O presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, já fala abertamente da possibilidade da Grécia “abrir falência” em Março.
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Jean-Claude Juncker admite “falência” do país em Março e as negociações falham de novo.
Os responsáveis políticos gregos recusaram ontem aceitar o novo impulso de austeridade exigido pelos ministros das finanças do euro como contrapartida para o segundo resgate ao pais e para um perdão de metade da dívida dos privados.
Os ministros europeus e a ‘troika' internacional exigem um corte de 20% no salário mínimo (actualmente em 750 euros), de 15% nas pensões, o fim dos subsídios de férias e layoffs de 15 mil funcionários públicos. O Eurogrupo tinha previsto reunir-se hoje em Bruxelas para fechar o acordo mas com estas exigências europeias, os políticos gregos roeram a corda depois de cinco horas de negociações com o governo tecnocrata liderado por Lucas Papademos.
O líder da oposição, o conservador, Antonis Samaras, disse ontem que "estão a pedir-nos mais austeridade, o que é impossível de suportar. Estou a lutar para impedir isto." As eleições gerais em Abril representam um constrangimento importante nestas negociações.
"Estamos no fio da navalha", disse o ministro de finanças, o socialista Evangelos Venizelos, após uma teleconferência com os seus homólogos da zona euro, no sábado, que reputou de "muito difícil." Nesta fase, tudo está em aberto e o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, já fala abertamente da possibilidade de o pais "abrir falência" em Março. Sem um acordo agora, a Grécia será impotente diante do vencimento de 14,5 mil milhões de euros em títulos em meados de Março, tendo no horizonte o incumprimento e até uma eventual saída do euro.
As negociações com os credores privados pareciam praticamente seladas em torno do corte de metade da dívida privada e de um valor de cupão nas novas obrigações de menos de 4% até 2020. Este acordo com os privados, de um perdão cerca de 100 mil milhões de dívida (incluindo juros é uma perda de 70% do valor devido aos privados), e o impacto da austeridade deixou a descoberto um total de 15 mil milhões, além dos 130 mil milhões de resgate previsto. Atenas continua a pressionar para que esse valor seja coberto por um ‘haircut' na dívida grega detida pelo BCE e bancos centrais.
Os europeus não querem ouvir falar disso e até o pré-acordo sobre o perdão de dívida ficou na corda bamba. Os ministros receiam que Atenas tenha menos incentivos para aceitar compromissos mais concretos em termos de políticas, a partir do momento em que tenham a dívida reduzida administrativamente.
Um responsável europeu, citado na Reuters, disse que "há entre os ministros uma sensação crescente de frustração. Para quê honrar a nossa parte do acordo, como fizemos no passado, se a Grécia não parece preocupar-se muito e não cumpre com a sua parte." Os gregos, explicou outra fonte citada "têm de começar a falar com honestidade, determinação e celeridade com a ‘troika' nos aspectos do programa que permanecem por fechar - reforma fiscal e laboral". O próprio Venizelos reconhece a pressão. "Há uma grande impaciência e grande pressão não apenas das três instituições que compõem a ‘troika' mas também dos estados da zona euro Foi uma reunião "muito difícil", descreveu.
Jean-Claude Juncker, numa entrevista à revista alemã "Der Spiegel", diz que "se chegássemos à conclusão de que tudo correu mal na Grécia, não haveria novo programa e isso significava que em Março abre falência."
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