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É um dos homens mais poderosos do planeta mas também dos mais reservados. Quando tem algo para dizer, o mundo fica literalmente em suspenso, pois uma palavra dele pode mudar a vida de milhões de pessoas e influenciar gerações.
Talvez por isso este homem e os seus antecessores tenham evitado falar e dar entrevistas....pelo menos até agora!
Ben Bernanke quebrou a tradição e, na entrevista que deu à revista Time, justificou o que o levou a mudar de opinião e a fazer várias declarações públicas.
Com o peso que transporta o homem que ajudou a prevenir uma catástrofe económica no mundo, o Presidente da Reserva Federal Norte-Americana diz agora que um dos segredos para evitar o colapso financeiro foi explicar detalhadamente a situação e revelar o que estava a tentar combater.
Diz Ben Bernanke que grande parte do medo, da incerteza e da desconfiança mundial foi provocado pela ausência de respostas de quem tem responsabilidades. Por isso este homem quebrou uma regra tácita da Reserva Federal, e aceitou falar várias vezes com os jornalistas para esclarecer a opinião pública mundial.
Esta deveria ser uma lição simples a aprender por muitos dos que olham ainda para os jornalistas como "bisbilhoteiros"! Até porque nos últimos anos em Portugal tem aumentado a desconfiança de muitos dirigentes sobre quem trabalha na informação.
Ainda hoje responsáveis económicos, financeiros, políticos ou agentes da justiça saem a correr dos seus "blindados escritórios" esquecendo que devem explicações, não aos jornalistas que os esperam, mas aos milhões de portugueses para quem trabalham!
Esquecem que sem esclarecimentos crescem as dúvidas e as desconfianças que vão minar a autoridade do Estado e a confiança de quem o representa.
Não defendo com isto, que devam ser feitas declarações avulsas proferidas numa qualquer esquina de qualquer ministério, ou palavras sem sentido no meio de uma festa ou inauguração onde se "caçou" um dos nossos representantes ou dirigentes.
Infelizmente, essas são ainda na maior parte das vezes as únicas palavras disponíveis e por isso as que transmitimos nos telejornais.
São necessárias, sim, mais declarações pensadas e estruturadas em que de facto se diga algo. São também urgentes os esclarecimentos de responsáveis aos jornalistas e não apenas os habituais depoimentos inócuos para evitar incómodas perguntas.
Numa palavra, quem nos governa, dirige, fiscaliza ou julga tem de compreender urgentemente a necessidade de saber comunicar com honestidade!
Caso contrário todas estas pessoas vão continuar a acreditar que são demasiado grandes ou importantes para falar e... para falhar!
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Comentários (2)
Como jornalista e cidadão subscrevo na íntegra esta notável prestação de, João Adelino Faria, um dos jornalistas que mais admiro pelo bom senso, profissionalismo e clareza de opinião. Nesta fase delicada da vida pública, comunicar com clareza e sentido de responsabiliodade é fundamental. Jornalistas e responsáveis económicos, financeiros, políticos, agentes da justiça têm de reflectir sobre o mau serviço que prestam ao país. Todos temos a ganhar com uma comunicação aberta, transparente e esclarecedora.
Nelson Silva Lopes-Samora Correia
Concordo plenamente com as suas palavras. Creio que falta à nossa classe política espírito de cidadania. Em vez disso, desenvolvem um jogo de cintura que os torna profissionais de promessas e não de compromissos. Graças a esta cultura a visão é de curto prazo, do imediato e do mesquinho. Declarações sérias? Comunicar com honestidade? Isso é coisa de políticos amadores, dirão eles...
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