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Crise

Governo quer cortar 10,8 mil milhões na despesa

Luís Reis Pires  
01/09/11 00:05

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As medidas anunciadas ontem vão ao encontro dos pressupostas das missões do FMI, liderada por Poul Thomsen, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

As medidas anunciadas ontem vão ao encontro dos pressupostas das missões do FMI, liderada por Poul Thomsen, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Medidas anunciadas do lado da despesa para 2012 e 2013 significam corte sem precedentes. Mas exige-se um esforço grande às famílias.

Até 2015, o Governo propõe-se realizar um corte "sem precedentes" de 10,8 mil milhões de euros na despesa pública. As medidas anunciadas ontem para 2012 e 2013 - somam 8,2 mil milhões - vão ao encontro dos pressupostos da ‘troika', de que a consolidação seja feita em dois terços do lado da despesa e em um terço do lado da receita. Mas os 8,2 mil milhões não são só ‘gorduras' do Estado: as famílias voltam a ser sacrificadas.

"As despesas públicas caem sete pontos percentuais, de mais de 50% do PIB em 2010 para 43,5% em 2015. Um corte de despesas desta grandeza não tem precedente nas séries estatísticas disponíveis", frisou ontem o ministro das Finanças, durante a apresentação do Documento de Estratégia Orçamental para os próximos quatro anos.

As metas a que o Governo se propõe implicam um corte na ordem dos 10,8 mil milhões de euros. Grande parte desse ajustamento será feito nos próximos dois anos, para os quais Vitor Gaspar anunciou medidas no valor de 8,2 mil milhões de euros.

Esta é a parte positiva. A parte negativa é que o corte irá exigir mais das famílias portuguesas. Para 2012, por exemplo, as medidas do lado da despesa somam 3% do PIB, ou seja, cerca de 4,9 mil milhões de euros. Destes, 2.450 milhões serão conseguidos através do congelamento dos salários públicos, da contribuição especial sobre as pensões e de outros cortes nas prestações sociais. E só a outra metade do corte na despesa dirá então respeito às ‘gorduras' do Estado.


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