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Tomás Correia revelou que o Governo nunca anunciou formalmente que excluiu a proposta do banco.
O presidente do Montepio, António Tomás Correia, afirmou ontem que o Governo incentivou o banco a entregar a proposta de compra de activos do BPN, embora esta não se enquadrasse em todas as regras do caderno de encargos. Na mesma ocasião, o responsável revelou que o Executivo nunca fez qualquer contacto formal a anunciar que tinha excluído a proposta do Montepio.
"A nossa proposta não ia no sentido da venda, e podia ser uma proposta em relação à qual dissessem que não podia ser considerada", referiu Tomás Correia. "Por isso mesmo houve uma conversa prévia com a Secretária de Estado do Tesouro e Finanças, em que disse à senhora Secretária que não estava interessado em comprar o BPN, mas que tínhamos uma proposta para comprar alguns activos". E admitiu que "havia interesse em que nós entregássemos a proposta, ainda que para a compra de alguns activos, porque se não houvesse proposta nenhuma, isto era uma saída. Não tenho dúvidas de que era uma saída".
Tomás Correia foi ontem ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à nacionalização do BPN, numa audição marcada por uma clara divisão entre os partidos políticos presentes na sala. Depois de o presidente do banco mutualista descrever qual a proposta que apresentou ao Executivo - e de ter repetido insistentemente que nunca o Montepio quis comprar o BPN, mas sim apenas alguns activos - ficou claro para os deputados da esquerda que a opção apresentada pelo Montepio seria muito mais vantajosa para o Estado. Além de lamentarem o facto de o Governo nunca ter chamado o Montepio à mesa das negociações. "O problema é que a proposta do Montepio foi liminarmente excluída, enquanto a proposta do BIC foi liminarmente incluída. A questão é que o Montepio não pôde sequer discutir a sua proposta", afirmou o deputado bloquista João Semedo.
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