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Teixeira dos Santos garantiu ontem em Bruxelas que as preocupações de Cavaco são partilhadas pelo Executivo.
O Governo desvalorizou as criticas de Cavaco Silva ao plano de obras públicas e mantém a intenção de avançar com os investimentos previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Ontem, à saída da reunião em Bruxelas, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, fez questão de deixar claro que "o que diz o Presidente vem ao encontro das preocupações do Governo de levar a cabo um esforço de investimento que seja compatível com os objectivos de consolidação orçamental que temos de seguir".
Dois dias depois de Cavaco Silva ter sugerido que o Executivo repense os grandes investimentos previstos, Teixeira dos Santos garantiu que, "no PEC, o Governo deu um sinal de estar a ponderar o esforço de investimento", lembrando que "não há novos projectos a nível rodoviário" e que "o adiamento do Lisboa-Porto e Porto-Vigo foram sinais claros que o Governo deu de que reconsiderou esses investimentos".
A polémica em torno das obras públicas já dura há vários dias. Na quinta-feira, Teixeira dos Santos tinha dito que os projectos estavam a ser avaliados mas o ministro António Mendonça veio, depois, sublinhar que todos os grandes projectos eram para avançar. Um dia depois, Sócrates garantiu no Parlamento que o plano de obras públicas se mantém. Mais tarde, o chefe de Estado vem pedir um travão nestes investimentos. Agora, o ministro de Estado e das Finanças vem acalmar os ânimos e desvalorizar esta controvérsia entre Belém e São Bento e entre ele próprio e Sócrates, com quem garante estar alinhado, mesmo tendo dito que alguns projectos estavam em avaliação.
Durante o fim-de-semana, também o primeiro-ministro garantiu a execução do PEC, sublinhando que, perante "um ataque especulativo", o "pior" seria dar "sinal de desorientação" ou mudar de rumo face "à primeira contrariedade". "Não sou daqueles que desistem do investimento, importante para a modernização e para dar emprego a tantos portugueses", disse Sócrates.
Oposição dividida no ataque ao plano de obras públicas
A polémica já se estendeu ao Parlamento, com a oposição a mostrar divergências quanto às reservas do Presidente da República. À direita, os partidos estão com o chefe de Estado e contra as obras públicas. O CDS vai mesmo levar o decreto-lei da concessão do TGV ao Parlamento para tentar travá-lo :"É profundamente injusto para os contribuintes, o avanço de todas as obras públicas", diz Paulo Portas. O PSD também aproveitou para voltar a defender a suspensão temporária das grandes obras públicas. Passos Coelho reiterou a oposição do partido ao investimento do Estado em grandes obras públicas, defendendo que "não vale a pena insistir na mesma tecla quando o país não tem dinheiro".
Mas à esquerda o discurso é mais moderado. O PCP e o BE admitiram "ajudar" o PS e o Executivo de Sócrates, "vetando" a iniciativa do CDS. Jerónimo de Sousa disse ao Diário de Notícias que o TGV "é um projecto importante para o país". No entanto, o líder comunista exige ao Governo que privilegie mão-de-obra nacional na execução dos investimentos públicos e recusa que estes projectos sejam feitos com recurso a parcerias público-privadas. O Ministério das Obras Públicas não fez qualquer comentário à exigência do PCP, adiantando apenas ao Diário Económico que a questão terá de ser discutida internamente. O BE apenas reiterou que sempre defendeu a ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid.
Já o socialista Paulo Pedroso defendeu sábado que o primeiro ministro tem "toda a razão em querer manter as obras públicas", até porque esse debate foi feito "nas últimas legislativas".
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Comentários (2)
Este governo,do alto da sua arrogância e incompetência,desvaloriza as opiniões de toda a gente,incluindo o Sr. Presidente da República.Eles são os donos da verdade!!! E são tão bons a governar que os resultados estão à vista: Portugal está nà beira da falência!!!
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