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China

Google: Em Hong Kong para escapar à censura em Pequim

Filipe Garcia  
24/03/10 05:52

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Ataque governamental aos servidores motivou a polémica. A empresa norte-americana mantém, por enquanto, os 600 trabalhadores na sede em Pequim.

A polémica estalou no final do ano passado quando os servidores da Google na China foram alvo de um assalto informático. Segundo a Google, o ataque que resultou no "roubo de propriedade intelectual" tinha como alvo as contas de Gmail de vários activistas de direitos humanos chineses e, depois de uma investigação, a conclusão foi que os ip's utilizados pertenciam ao governo chinês.

Nessa altura a polémica em torno da censura na internet chinesa reacendeu-se. Agora, ao fim de dois meses de negociações, a guerra acabou: para fugir à censura do governo chinês, a Google passará a encaminhar os utilizadores chineses para o motor de busca sediado em Hong Kong. Na região autónoma, as únicas restrições nas pesquisas estão no acesso a sites pornográficos.

"A Google violou a promessa escrita que fizera ao entrar no mercado chinês, decidindo deixar de filtrar os resultados do seu motor de pesquisas e culpando a China com insinuações de que somos responsáveis por alegados ataques de hacking", disse, em comunicado, Qin Gang, o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. A resposta chegou por David Drummond, vice-presidente da empresa norte-americana: "O Governo chinês tem sido claro nas nossas negociações - a auto censura é um requisito legal inegociável."

Os 400 milhões de internautas chineses não foram suficientes para fazer a Google ceder. No ano passado, o mercado chinês rendeu à empresa norte-americana cerca de 440 milhões de euros, uma soma pouco mais que irrisória se incluída nos 16 mil milhões de euros que, segundo a JP Morgan, a empresa amealhou globalmente. Para facilitar a decisão, que responsáveis da empresa garantem ter sido tomada por uma "questão de princípios", nos quatro anos de presença na China o motor de busca mais popular do Mundo nunca conseguiu aproximar-se da liderança - tem 30% contra os 59% do chinês Baidu.

Desde Janeiro de 2006, quando a Google inaugurou o seu escritório em Pequim, a polémica assentou no domínio www.google.cn. Primeiro foram os activistas a censurar as cedências que a empresa fizera para entrar no mercado chinês e depois nunca faltaram queixas sobre problemas no acesso a sites como Facebook, Twitter, Blogger ou mesmo Google Docs. O ataque, alegadamente por hackers governamentais, aos servidores foi apenas a gota de água. No entanto, há quem continue a respeitar as regras impostas pelo governo chinês: a Microsoft mantém uma versão do seu motor de busca, o Bing, alojada em servidores chineses.

Valerá de alguma coisa?

Mas será que a transferência do endereço da China (.cn) para Hong Kong (.hk) irá beneficiar os internautas? Conhecida como a "Grande Firewall da China" (o goveno chinês chama-lhe Projecto Escudo Dourado), a verdade é que, independentemente do domínio da Google acedido - e no total são mais de 150 -, há palavras e sites que os computadores chineses simplesmente não abrem. Em Janeiro deste ano, segundo a revista Reason, eram mais de 18 mil os sites bloqueados pela ferramenta de controlo governamental.

Agora, a dúvida é se através de Hong Kong os internautas que pesquisarem a história da praça de Tiananmen vão ficar a saber que, a 4 de Junho de 1989, o governo chinês respondeu com tanques a um protesto pacífico de estudantes ou se, como na versão chinesa, ficarão apenas a saber quais os melhores restaurantes para almoçar na praça mais célebre de Pequim. Desta vez, nem o Google pode responder.

 





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