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Ensino

Fusão das universidades Técnica e de Lisboa em risco

Ana Petronilho  
19/02/12 10:55

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Vários presidentes de faculdades põem em causa a autonomia, o investimento e a criação da nova universidade em Lisboa.

A fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, prevista para 2013, pode não avançar. O projecto destas instituições de ensino superior não está a reunir o consenso entre os presidentes das diferentes faculdades de cada universidade e existe o risco de não conseguir o número de votos favoráveis - no próximo dia 7 de Abril - necessários para que a fusão aconteça.

O presidente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), João Bilhim, - uma das vozes discordantes da fusão - revela ao Diário Económico que "basta haver uma ou mais escolas de cada universidade que não vote favoravelmente para que a fusão esteja em risco." João Bilhim, que se assume como um "não entusiasta pela fusão", considera que "nenhum dos argumentos" apresentados no estudo "Uma Novas Universidade de Lisboa", agora divulgado pela UL e pela UTL, "vale por si mesmo" e sublinha que "é contraproducente avançar para uma fusão." Isto porque, defende, "a criação de um consórcio entre as cinco universidades públicas de Lisboa seria muito mais abrangente, positivo e permitiria a poupança de 30% a 40% de dinheiros públicos." Bilhim diz que ainda não apresentou esta sua "alternativa à fusão", mas diz que já revelou a sua posição ao reitor António Cruz Serra. No cenário de um consórcio - "vantajoso para o Governo e para as instituições" - Bilhim diz que "haveria concentração de alguns serviços das universidades, como a acção social, cantinas e residências." Sugestão que coincide com a proposta do estudo apresentado por Cruz Serra e pelo reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa. A diferença está na gestão. Para Bilhim, deveriam ser "mantidas as cinco reitorias, não se alterava a identidade de cada universidade, e seriam os cinco reitores a gerir a actividade científica de cada instituição". No entanto, "haveria um dos reitores que seria o responsável por gerir o consórcio, pelo período de dois anos", remata. Uma alternativa que "traz mais poupanças", conclui.

Outra das vozes que não está convencida com a fusão entre estas universidades é a do presidente do Instituto Superior Técnico, Arlindo Oliveira, que diz mesmo: "votaremos contra, caso a autonomia das faculdades seja quebrada." No entanto, o presidente do IST diz que "ainda é prematuro" revelar a posição final , que "está dependente de como será mantida a autonomia financeira, patrimonial, administrativa e científica" de cada faculdade.

Mas existe ainda uma outra ameaça a esta fusão: a falta de financiamento. Segundo o presidente da Faculdade de Agronomia, Carlos Noéme, existe o "gravíssimo risco" de a fusão não avançar "por falta de investimento", caso "se mantenha tudo como está no financiamento do ensino superior".

No entanto, Carlos Noéme partilha da visão optimista desta fusão, assim como os presidentes das faculdades de Medicina Veterinária, Luís Manuel Tavares, e Motricidade Humana, Carlos Neto. Até porque, considera Carlos Noéme, "é absolutamente bizarro haver 14 universidades públicas para 10 milhões de habitantes." Além disso, o presidente da faculdade de Agronomia acredita que este é um processo "de ruptura contra a pequenez" e que as instituições "estão a antecipar o que deveria partir do Governo."

O projecto da fusão foi apresentado na semana passada, está a ser discutido nas faculdades e será votado em cada um delas a 7 de Abril. Mas "a decisão final será sempre dos Conselhos Gerais", assegura o reitor da Técnica. António Cruz Serra sustenta que "risco há sempre", mas a fusão "é benéfica para o País e para as instituições". E acrescenta que o Governo "deveria criar um novo regime de maior autonomia" para esta nova universidade, para que se consiga contornar "as limitações orçamentais e de gestão" impostaqs ao ensino superior.





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