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Conhecido adepto do FC Porto e líder da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira também é presidente da Porto Vivo.
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Mandato de presidente à frente da Porto Vivo terminou em Dezembro.
Estou a herdar uma batata quente que não posso nem tenho condições de assumir", reage o presidente da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana, Rui Moreira, face à actual situação de penúria dos cofres da sociedade que lidera há pouco mais de seis meses. A situação já não é nova, mas assume contornos preocupantes - isto a um mês da assembleia geral de accionistas, que conta com o Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e a Câmara Municipal do Porto, com posições de 60 e 40% do capital, respectivamente.
Rui Moreira mostra-se indisponível para se manter à frente da empresa que regenerou o centro histórico do Porto nos últimos anos, se aquelas duas entidades não pagarem o que devem. E o que devem soma quatro milhões de euros nos dois últimos anos: 2010 e 2011. Porém, a administração do IHRU tem outra interpretação.
"Não é correcto falar em dívidas do IHRU à Porto Vivo, dívidas que, de todo, não existem. O que está em causa é apenas o facto de a actividade da SRU se traduzir em prejuízos anuais, cabendo aos accionistas decidir se fazem entradas adicionais de capital para cobrir o capital social consumido por aqueles prejuízos. Foi essa a prática seguida até 2009", defende a administração do IHRU, liderada por António José Baptista, em resposta ao Diário Económico.
O organismo, tutelado pelo Ministério do Ambiente, reconhece incapacidade financeira para satisfazer as necessidades da Porto Vivo. "No que se refere aos prejuízos de 2010, ambos os accionistas já manifestaram vontade de repor o prejuízo em causa, mas não foi ainda possível ao IHRU reunir as condições para concretizar essa reposição", adianta o mesmo organismo.
Se estes fundos não forem repostos, fica claro que a tutela terá de encontrar para a Porto Vivo um novo presidente, que assumiu funções a meio de 2011, após a saída de Arlindo Cunha. "O meu mandato terminou a 31 de Dezembro de 2011, assumi há seis meses o cargo por cooptação de Arlindo Cunha, e não posso continuar a exercer funções numa empresa que pode entrar em falência", explicou Rui Moreira ao Diário Económico. "Se me convidarem, não tenho condições para manter-me no cargo", defende.
Rui Moreira queixa-se da falta de apoio dos accionistas da instituição e vai mais longe, ao assumir que as autarquias "estão falidas" e que projectos como a Porto Vivo "só subsistem com o apoio do Estado central".
Apesar da insuficiência de recursos, Rui Moreira assume que está em dia com trabalhadores e fornecedores, mas alerta que o futuro é incerto. A Porto Vivo tem várias obras em curso, como o projecto das Cardosas, e outros empreitadas para serem lançadas, como o Morro da Sé, que será o principal investimento da empresa.
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