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Política

"Funcionários públicos trabalham numa empresa falida”

Económico com Lusa  
02/02/12 20:50

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A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que os funcionários públicos "são pessoas com pouca sorte".

Manuela Ferreira Leite falava numa conferência no ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa, com o tema "É possível ser um país mais justo e alcançar a consolidação orçamental?", em que também participou o antigo ministro da Segurança Social e actual deputado socialista Vieira da Silva.

A também anterior líder do PSD disse não ver que "outra política" orçamental poderia Portugal seguir neste momento, dada a dependência que tem do "dinheiro que lhe dão" as instituições financeiras.

Para Manuela Ferreira Leite, algumas medidas poderiam é ser mais bem explicadas, dando a este propósito o exemplo dos cortes salariais na função pública: "No caso dos funcionários públicos, acho que se poderia sempre justificar dizendo que são pessoas com pouca sorte que trabalham numa empresa falida. E quando uma pessoa trabalha numa empresa falida, desde o desemprego a salários em atraso, tudo lhes pode acontecer".

"Eu prefiro esta explicação do que algumas que dão a sensação de que os funcionários públicos não tinham desemprego e outros [trabalhadores do sector privado] tinham. Isso é que é profundamente injusto. Uma empresa quando despede funcionários por motivos de natureza financeira, é porque provavelmente o produto que vende não tem escoamento no mercado e por isso está em falência. Não é o caso dos funcionários: os serviços públicos têm sempre venda e procura. E portanto não há desemprego, acho bem que não haja desemprego", acrescentou.

Manuela Ferreira sublinhou que é preciso lembrar que os funcionários públicos são "médicos, polícias ou professores", não correspondendo na sua maioria à imagem do "contínuo num corredor à espera de ver passar alguém".

Durante a conferência, a ex-ministra das Finanças disse ainda que num processo de consolidação orçamental é inevitável aumentar as receitas através dos "antipáticos impostos", sobretudo sobre os rendimentos, sendo a classe média a principal atingida.

"Não há outra solução", disse Ferreira Leite, acrescentando que, de qualquer forma, é preciso não esquecer que não é só o Estado que está sobreendividado. "Todo o país" está nessa situação e, portanto, também as famílias têm de fazer um ajustamento não podendo ficar de fora desse processo.

Quanto às despesas, defendeu que é preciso ver "qual é principal origem": segurança social, saúde e educação, reconhecendo que são "áreas sensíveis" onde as mudanças "criam desconforto".

A ex-ministra voltou a insistir em que, porém, serviços de saúde e educação só poderão continuar a ser gratuitos para as pessoas de rendimentos mais baixos se uma parte dos portugueses passarem a pagá-los.

Se não for assim, os serviços continuarão a ser gratuitos, mas maus, o que só afectará as pessoas de rendimentos mais baixos, sublinhou, considerando que "isso é que seria uma injustiça social".

A este propósito, Vieira da Silva disse não ter "muitas dúvidas" sobre a necessidade de "repensar o modelo de financiamento", defendendo que no caso da saúde ainda há "margem significativa paras ganhos de eficiência", o que já não acontece na educação.

 





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