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A Frente Sindical pede que seja proibido recorrer à aquisição de serviços durante três anos após a saída de funcionários.
Na apresentação do caderno reivindicativo que vai ser levado ao Governo em Setembro, o presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), uma das seis organizações que integra a Frente Sindical, pediu mais transparência no que se refere aos números da função pública e salientou que a regra "saem 2, entra 1" está a ser um incentivo à aquisição de serviços.
"Na prática, congelam-se as admissões e simultaneamente promove-se a aquisição de serviços. Hoje, há serviços que têm mais trabalhadores pertencentes a empresas externas do que trabalhadores próprios", alertou Bettencourt Picanço, pedindo, por isso, que "quando se congela a admissão de trabalhadores se proíba também a contratação da aquisição de serviços, durante três anos, pelo menos".
Os ministérios da Agricultura e da Administração Interna e os hospitais foram apontados como exemplos de setores da Administração Pública onde os funcionários que saíram "foram substituídos por empresas que lá puseram outros trabalhadores".
"O trabalho em Portugal começa a ser um bom negócio para algumas entidades", ironizou Bettencourt Picanço.
A Frente Sindical pede também mais transparência na gestão de recursos humanos, através de uma base de dados que publicite mensalmente o número de pessoas que entram na função pública e com que estatuto.
"Hoje em dia, continua a ser difícil, para quem quer que seja, perceber quantos estão a entrar na administração pública, quantos estão a sair e quantos estão a sair para entidades públicas empresariais que substituem os serviços públicos numa operação de cosmética à gestão de recursos humanos que faz com que não saibamos bem quantos entram, quantos saem e quantos somos", criticou o sindicalista.
Bettencourt Picanço acrescentou que a diminuição da despesa com pessoal tem sido feita à custa do aumento dos custos com a aquisição de serviços.
As propostas da Frente Sindical incidem ainda sobre a integração dos trabalhadores em mobilidade especial, revisão de carreiras e mudança de regras nas avaliações de desempenho e nas posições remuneratórias.
O documento é subscrito pelo STE e outros cinco sindicatos independentes: o dos Professores Licenciados, dos Trabalhadores dos Impostos, dos Enfermeiros, dos Profissionais de Enfermagem e dos Profissionais de Policia.
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