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O Presidente reúne-se hoje com o Conselho de Estado, e é difícil perceber o que pretende atingir com o que não passa de mais um episódio do processo de fragilização em curso a que o Governo tem sido sujeito.
Mas podemos ter a certeza que não será nada de bom para o país.
Ao "convidar" Vítor Gaspar a "ir explicar" as medidas anunciadas para 2013, Cavaco junta a sua presidencial efígie ao coro que protesta contra a austeridade. Um Governo com pouca margem de manobra para tomar medidas impopulares ficará assim ainda mais manietado perante uma opinião pública crescentemente hostil. Talvez Cavaco tenha consciência disso, e pretenda contribuir para a queda do governo, um resultado que até os membros da coligação já parecem desejar.
Resta que os problemas não acabariam aí, antes pelo contrário: o que se seguiria? Eleições? Poucas coisas assustariam mais "os mercados" e "a ‘troika'" do que um limbo de 3 a 4 meses em que nenhuma decisão se toma e o futuro é incerto. Um governo de "salvação nacional" sob o excelso patrocínio de Belém? Não é de crer que a austeridade seja mais tolerável aos portugueses se proveniente de um governo cozinhado nas sedes partidárias do que foi vinda de um governo com legitimidade democrática. E, inevitavelmente, Cavaco acabaria por ser responsabilizado pelo fracasso da experiência, alastrando-se o PFEC a todo o sistema político.
O Presidente está encurralado, e deve apenas culpar-se a si próprio. No seu primeiro mandato, de forma a não arriscar a sua reeleição, assistiu impávido e sereno enquanto Sócrates degradava a saúde financeira e o clima político do país. Depois, com a estadia em Belém assegurada e Sócrates luxuosamente exilado em Paris, nunca hesitou em publicamente manifestar as suas reservas quanto às políticas que o actual governo implementava para tentar resolver os problemas que a inacção presidencial deixou acumular. Cavaco ateou o fogo que queima S. Bento, e as chamas chegaram a Belém. Grave foi ter deixado o resto do País em cinzas.
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Bruno Alves, Doutorando IEP-UCP
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