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Universidades

12 Abr 2012

Foi você que pediu uma carreira internacional?

Madalena Queirós
Foi você que pediu uma carreira internacional?

O Inov Contacto vai distribuir 250 jovens diplomados portugueses por empresas de 51 países. Mas este ano o número de estágios cai para metade.

Com apenas 27 anos, o economista Nuno Pedro já viveu em Londres e Roterdão. Há um ano que Roma é a sua nova cidade. Trabalha como ‘controller' financeiro na empresa Bial. Ganha mais do dobro do ordenado que teria em Portugal, mas sublinha que o custo de vida em Roma também é 100% mais caro. Gosta de viver na capital italiana e não hesita em dizer que não pensa voltar a Portugal. Uma carreira internacional que teve como porta de entrada o estágio do programa Inov Contacto que fez em 2010. Conselhos para quem quer ter uma carreira internacional? "Fazer este programa. Dominar o inglês na perfeição e conhecer a língua do país para onde se vai e pesquisar o máximo sobre a sua economia". Outro exemplo é o caso do engenheiro civil Pedro Santos. Com 29 anos, trabalha no Rio de Janeiro na empresa Coba, consultores de engenharia, onde entrou em 2008 através de um estágio no Inov Contacto.

Se o seu sonho é trabalhar no Brasil siga estes conselhos. "Caso um jovem português queira vir para cá trabalhar, sugiro que faça o trabalho de casa de investigação do mercado e potenciais empregadores, mas deve prever nesse processo uma viagem ao Brasil. Julgo que é muito difícil as empresas brasileiras contratarem um jovem estrangeiro à distância". E há que ter "muita paciência, pois apesar de tudo o Brasil continua com os seus conhecidos tempos de reacção e com as suas paredes burocráticas, que exigem paciência e determinação para quem vem de outro ‘modus operandi'", sublinha. Mas é bom tentar porque "é um país que tem agora muitas oportunidades" e "carência de mão-de-obra qualificada".

Na próxima semana, cerca de 250 jovens diplomados portugueses vão conhecer a sua sorte e os países e as empresas onde vão estagiar, durante seis meses, ao abrigo do programa Inov Contacto. O primeiro passo do que pode ser uma carreira internacional. A AICEP vai divulgar os destinos dos estagiários na lista das empresas dos 50 países que participam no programa.

Mas o programa sofre, este ano, uma redução significativa para menos de metade dos estagiários. Haverá 250 estagiários, quando na última edição de 2010/11 houve cerca de 550 .

A boa notícia é que, em média, metade dos estagiários são convidados a ficar na empresa no final do estágio e cerca de 30% acaba por aceitar, refere Pedro Reis, presidente da AICEP.

Essa será uma das razões que levou a um crescimento exponencial das candidaturas. Este ano concorreram quase cinco mil jovens, mais do dobro do último programa. Para além do crescimento do desemprego dos jovens diplomados (cerca de 35%), a consciência de que um experiência internacional é cada vez mais importante no currículo são duas das razões que explicam este crescimento. "A experiência internacional é um factor de diferenciação positiva, que os empregadores crescentemente valorizam e procuram", afirma ao Diário Económico o presidente da AICEP. Apesar de se ter candidatado a receber mais diplomados, este ano, a empresa Visabeira vai receber apenas dois estagiários. "Esta é uma das melhores fontes de recrutamento para carreiras internacionais porque temos a oportunidade para avaliar os diplomados em contexto de trabalho sem os custos da contratação", sublinha Diana Magalhães, uma das responsáveis dos recursos humanos da Visabeira. Os estagiários recebem uma bolsa mensal de 840 euros paga pela AICEP mais um complemento de estadia que varia entre os 800 e os 1.200 euros.


Testemunhos

Nuno Pedro Bial, Roma
"A participação no Inov Contacto deu forma ao sonho de iniciar uma carreira profissional internacional, conhecer uma nova cultura, uma nova língua e outras pessoas, com perspectivas e pontos de vista diferentes dos nossos. O Inov Contacto é a chave de abertura para a concretização das nossas ambições, dá-nos a oportunidade de ter uma experiência profissional em contexto real, de participar em projectos traçados pela empresa e de dar o nosso contributo para se atingirem objectivos concretos".

Pedro Santos Coba, Rio de Janeiro
"O Inov Contacto levou-me até á maior empresa de consultoria de engenharia portuguesa e a um mercado que, em 2008, sugeria entusiasmo e que agora concretiza esse momento. O InovContacto, para além de ter provocado este percurso e oportunidade que eu decidi abraçar, proporciona durante o período do estágio um acompanhamento ao estagiário e à empresa, bem como a disponibilização de ferramentas e conhecimentos que são úteis para esse processo de internacionalização".

Tiago Cabral, Director Internacional da Leadership Business Consulting
"O programa é uma oportunidade de formar e, em larga escala, recrutar potenciais colaboradores da empresa em ambiente real e nos mercados externos. Para a empresa representa, por um lado, a possibilidade de apoiar o desenvolvimento de futuros líderes empresariais com experiência internacional e, em simultâneo, reforçar as equipas de projectos que desenvolvem a sua actividade nos mercados internacionais".

Peter Villax, vice-presidente da Pharma Business Unit
"É uma das iniciativas mais importantes que Portugal e a AICEP levam a cabo para promover Portugal no estrangeiro e dar experiências internacionais a milhares de jovens portugueses. O programa tem uma imensa qualidade pela forma como são seleccionados os candidatos. Mas penso que poderia ser mais focado e enviar mais candidatos para as economias mais importantes para a diplomacia económica portuguesa".

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