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"O FMI efectivamente fez ‘call' ao bluff da Grécia jogando pelas suas regras firmes".
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Atenas disse que ou recebia nova ajuda até 26 de Junho ou entraria em bancarrota. FMI fez ‘call’ a esta jogada, diz o RBC Capital Markets.
O empréstimo da próxima tranche de 12 mil milhões de euros no programa da UE e do FMI à Grécia está em risco. Ontem, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, referiu que o FMI precisa de uma garantia financeira de 12 meses para poder desembolsar a próxima tranche.
Para os economistas do RBC Capital Markets, o FMI respondeu com um ‘call' ao ‘bluff' grego de que ou recebia o dinheiro, ou entraria em ‘default'. Apesar disso, o banco não vê um ‘default' iminente por parte da Grécia.
"O FMI efectivamente fez ‘call' ao bluff da Grécia jogando pelas suas regras firmes. A jogada é colocar uma arma apontada à cabeça das autoridades gregas para que estas resolvam o défice de financiamento do programa através de um plano credível de consolidação orçamental e de receitas de privatizações", referem os economistas do banco num estudo.
O problema é que, segundo as regras do FMI, o Fundo não pode desembolsar dinheiro para países em qu, num horizonte de 12 meses, tenham um défice de financiamento, isto é, que não se consigam financiar no mercado ou, no caso de nações intervencionadas, que tenham mais necessidades que o esperado. Quando isso acontece, considera-se que o plano derrapou e não se realizam mais pagamentos.
"Isto é uma regra inflexível para dar segurança ao FMI de que não está a fornecer financiamento a um país prestes a falir", explica o RBC.
O risco é que a missão técnica em Atenas, que terminará a sua análise na próxima semana tenha uma conclusão daquele tipo. O RBC observa que "o programa original do FMI/UE foi optimista no quão rápido a crise soberana iria abrandar e esperava que a Grécia regressasse ao mercado em 2012, levantando 11,9 mil milhões de euros como complemento ao apoio oficial".
Mas como as taxas de juro continuam proibitivas, Atenas não tem condições de aceder ao mercado para vender dívida de médio e longo prazo. Além disso, a Grécia teve um desempenho abaixo do esperado a nível orçamental o que, para o RBC, levará a que falhe as metas do défice em três mil milhões de euros, criando mais necessidades de financiamento que o previsto.
Caso Atenas não tome mais medidas de austeridade ou não tenha receitas de privatizações, o país deverá ficar sem dinheiro em breve, o que impede o FMI de lhe conceder mais financiamento Se este cenário se concretizar, a única hipótese para a Grécia evitar um ‘default' é "procurar fontes alternativas de financiamento (isto é, dinheiro europeu)", que permitam corrigir a lacuna de ‘funding'. "Claramente, será muito difícil, politicamente, fornecer apoio adicional à Grécia neste ponto, quando o consenso é que as reformas perderam ‘momentum", refere o banco. Apesar disso, acredita que "haverá vontade política para encontrar medidas suficientes para fechar o ‘gap' de financiamento, permitindo o desembolso e evitar um ‘default' precoce".
No entanto, mesmo que a Grécia receba esta tranche, o RBC alerta que ocorrerão problemas similares até ao fim do programa, devido às necessidades de financiamento cada vez maiores de Atenas.
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