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O FMI, liderado por Strauss Kahn, admite que as agências de 'rating' são um factor de instabilidade na região do euro.
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O FMI revela que os cortes de ‘rating’ dos países da zona euro despertam efeitos de contágio nos restantes países da região.
Depois das várias críticas de governos e presidentes de alguns bancos sobre a actuação das agências de ‘rating' nos últimos anos, foi a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) ir ao encontro de algumas dessas críticas.
De acordo com um ‘paper' desenvolvido por Rabah Arezki, Bertrand Candelon e Amadou N. R. Sy do FMI, divulgado ontem, "os cortes dos ‘ratings' soberanos apresentam, estatisticamente e economicamente, efeitos de contágio entre os países e os mercados financeiros, implicando que os anúncios das agências de ‘rating' podem estimular a instabilidade financeira."
Esta conclusão adveio de uma análise às repercussões que as notícias sobre os ‘ratings' soberanos tiveram sobre todos os países e sobre os mercados financeiros, recorrendo a dados diários dos ‘spreads' dos ‘credit default swaps' (CDS), da evolução dos índices de acções e dos sub-índices do sector bancário e segurador de alguns países europeus entre 2007 e 2010.
Contudo, os autores referem que "esses efeitos de contágio dependem tanto do tipo de anúncio de ‘rating', do país que é sujeito ao corte do ‘rating' e à agência de notação de risco" que emite o ‘donwgrade'.
Além disso, Arezki, Candelon e Sy, revelam ainda que os cortes de ‘rating' do risco da dívida classificada já com um nível perto de grau especulativo (como o ‘downgrade da Grécia de "A-" para "BBB+" pela Fitch em Dezembro de 2009) "têm efeitos de contágio sistemático em redor dos países da zona euro sob consideração."
Como forma de evitar danos maiores de contágio, o FMI sugere três possibilidades aos países envolvidos: em primeiro lugar, assim que os outros países recebem um corte do seu ‘rating', "os decisores políticos devem agir de forma preventiva, comunicando eficazmente para dissipar as preocupações em relação ao que os investidores vêem como pontos fracos do seu país."
Em segundo lugar, os autores do trabalho "Sovereign Rating News and Financial Markets Spillovers: Evidence from the European Debt Crisis", referem que os efeitos colaterais vão além dos mercados de dívida soberana e "os responsáveis políticos devem estar preparados para enfrentar uma possível instabilidade no sector bancário, segurador e não financeiro, preparando um plano de contingência" para esse efeito.
Por fim, o ‘paper' do organismo internacional refere ainda que, "os responsáveis políticos devem rever a melhor adequação do uso das notações de crédito na regulamentação dos mercados financeiros, assim que a instabilidade financeira possa decorrer da existência de uma regulamentação baseada em ‘ratings'".
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