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Imobiliário

06 Abr 2012

Financiamento da banca é vital para reanimar imobiliário

Eduardo Melo e Elisabete Soares
Financiamento da banca é vital para reanimar imobiliário

Estudo da ERA Europa aponta a estabilidade do euro como condição essencial para a retoma do mercado imobiliário e da confiança dos consumidores.

A estabilidade da Zona Euro é fundamental para o crescimento económico na Europa. Esta tranquilidade é essencial para que as empresas se concentrem naquilo que é importante, ou seja, o seu negócio. "Enquanto não houver indícios de uma recuperação económica sustentável da zona Euro, a confiança dos mercados estará fortemente comprometida", defende o director-geral da ERA Portugal, Miguel Poisson, com base num estudo da ERA Europa ("European Residential Real Estate Market 2012"), do final de Fevereiro.

No caso português, este cenário de instabilidade é ainda mais evidente pelo facto de a economia não estar a crescer. "As fortes restrições de acesso ao crédito, dos particulares e das empresas, têm consequências terríveis para o país e, em especial, para o sector imobiliário", nota ainda o gestor da ERA. Nessa linha de raciocício, Miguel Poisson avisa: "Torna-se fundamental que os bancos comecem a libertar verbas para promover o dinamismo dos principais sectores de actividade e, em especial, do sector imobiliário".

O cenário na Europa é diferenciado, com a recessão das economias do sul da Europa a contrastar com a dinâmica dos países do norte. "Há mercados mais estáveis, como Alemanha, Áustria e Suíça. Há também mercados que, apesar de tudo, estão a conseguir resistir à crise, como a Bélgica e a França. E, finalmente, há mercados muito vulneráveis e fortemente condicionados pelo actual contexto económico, como Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal, em que verificamos uma quebra significativa no número de transacções e uma queda ao nível dos preços. Uma situação gerada pela redução da procura e pela pressão vendedora dos bancos e do Estado", sublinha ainda o director-geral da ERA Portugal.

Portugal distante da Grécia
Para este especialista, Portugal e a Grécia são como a água e o azeite: "Não se devem misturar, são casos bem diferentes". A Grécia está mergulhada num contexto "bem mais complicado do ponto de vista social e económico". Portugal vai beneficiando, no seio da Europa, de uma imagem de "devedor cumpridor", observa Miguel Poisson. "O mesmo não pode ser dito relativamente à Grécia", alerta.

Face a este enquadramento, qual a previsão da ERA Portugal em relação ao comportamento dos diferentes mercados em 2012? "A instabilidade da Zona Euro e os condicionalismos socio-económicos que se perspectivam para 2012 vão naturalmente ter o seu impacto na confiança do consumidor", avança Miguel Poisson. Os mercados mais afectados serão a Grécia e Irlanda, "com quebras estimadas de 12% e 13%, respectivamente, seguidos por Holanda, com 9%, e França, que poderá registar uma queda na ordem dos 8%".

Tendências do imobiliário em 2012

- Fortes condicionalismos sócio-económicos.
- Contracção do sector imobiliário.
- Confiança do consumidor em queda.
- Atitude "wait and see".
- Quebra no número de vendas.
- Sul da Europa - mercados mais vulneráveis e em queda.
- Exemplos de mercados estáveis: Alemanha, Áustria e Suíça.
- Exemplos de mercados que estão a conseguir resistir à crise: Bélgica e França.
- Exemplos de mercados muito vulneráveis face ao actual contexto económico: Grécia, Espanha, Portugal.


Evolução do imobiliário na Europa

- Áustria: estável ou ligeiro crescimento do imobiliário.
- Bélgica e Holanda: decréscimo de preço e numero de transações no sector imobiliário.
- República Checa: pequeno decréscimo da actividade.
- França: abrandamento do sector.
- Alemanha: ligeiro crescimento.
- Grécia: contração do mercado.
- Irlanda: ainda haverá decréscimo da actividade.
- Luxemburgo: crescimento e consolidação.
- Portugal: quebra e retração de mercado.
- Suécia: ligeira quebra no número de transações.
- Suíça: mercado saudável e estável.

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