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Fernando Ulrich banqueiro por tradição familiar

O presidente do BPI é descendente de bancários do séc. XVIII e um avô foi governador do Banco Central.

Fernando Maria Costa Duarte Ulrich, nascido em Lisboa em 1952, cresceu num meio familiar ligado ao sector financeiro. O avô paterno era administrador do Banco de Portugal, o materno estava ligado às áreas de corretagem e dos seguros. E foi assim que, aos seis anos, ao receber uma nota com a assinatura do avô por parte do pai, Fernando Ulrich escolheu o seu futuro: queria vir a “trabalhar num banco”, como relata a revista Exame de Março de 2004. Conseguiu.
A tradição já vinha de trás. Os Ulrich, família do Norte de Hamburgo, tinham-se estabelecido em Portugal em meados do século XVIII, ligados ao comércio bancário e à arquitectura. Após o terramoto de 1755, a família cooperou activamente na reconstrução de Lisboa, a convite do Marquês de Pombal, prosseguindo os seus negócios no ramo financeiro. Mais tarde, os Ulrich ligaram-se por laços familiares aos Mellos, herdeiros de Alfredo da Silva. O pai, João Ulrich, foi director da Tabaqueira, uma das empresas do império CUF.
Fernando Ulrich fez os estudos primários e secundários na Escola João de Deus, no Monte Estoril, seguindo para o Instituto Superior de Economia e Gestão, onde foi colega de Eduardo Ferro Rodrigues, António Perez Metelo e Félix Ribeiro.
Ainda estudante do ISEG, Fernando Ulrich entrou para a redacção do Expresso, onde veio a ser responsável pela secção de Mercados Financeiros, assinando textos com o pseudónimo de Vicente Marques.
Fernando Ulrich foi, em seguida, técnico do Secretariado para a Cooperação Económica e, posteriormente, assessor do embaixador de Portugal junto da OCDE, em Paris, como responsável pelos assuntos económicos e financeiros e, mais tarde ainda, chefe de gabinete dos ministros das Finanças e do Plano dos governos Balsemão, João Morais Leitão e João Salgueiro. Transitou em 1983 do gabinete ministerial para a Sociedade Portuguesa de Investimentos, com Artur Santos Silva, que vem a dar origem ao BPI. Mas já antes se concretizara o sonho que Fernando Ulrich alimentava desde os seis anos de idade: em 1980 tinha trabalhado no departamento internacional do Pinto & Sotto Mayor. Mas foi só ao aceitar o convite de Artur Santos Silva que Fernando Ulrich deixou outras actividades paralelas que tinha vindo a exercer, designadamente na redacção do Expresso.
Em Abril de 2004, e já com o cargo de vice-presidente, Fernando Ulrich tornou-se presidente do BPI.
Identificado publicamente com o PSD e fundador da iniciativa Compromisso Portugal, Fernando Ulrich tem provocado polémica com algumas propostas radicais em matéria laboral, no sentido do corte nos vencimentos dos assalariados, da liberalização total dos despedimentos colectivos e individuais, no sector público e no privado, embora “com avisos antecipados e indemnizações” para que a medida não signifique “um regresso ao século XIX”.
Casado, pai de três filhos e sportinguista, Fernando Ulrich foi anunciado como membro da lista de Filipe Soares Franco às eleições do clube de Alvalade.

Os Urlrich
-  Século XVIII - Os Ulrich estabelecem-se em Portugal.
-  1952 - Nasce em Lisboa Fernando Maria Costa Duarte Ulrich.
-  1973 - Estudante de economia, Ulrich escreve no Expresso com o pseudónimo de Vicente Marques.
-  1981 - 83 - Ulrich é chefe de gabinete do ministro das Finanças e Plano, João Salgueiro.
-  1983 - A convite de Santos Silva, Fernando Ulrich ingressa na SPI, que dará origem ao BPI.
-  2004 - Ulrich ascende a presidente do BPI.


Perfil:  Artur Santos Silva
Nascido no Porto, em 1941, licenciado em Direito, Artur Santos Silva foi o fundador da Sociedade Portuguesa de Investimentos e primeiro presidente do BPI até à passagem de testemunho para Fernando Ulrich, em Abril de 2004.
Anteriormente, foi docente da Faculdade de Direito de Coimbra e da Católica do Porto, director do BPA, vice-governador do Banco de Portugal, secretário de Estado do Tesouro no VI Governo Provisório, administrador da Gulbenkian e presidente do Porto 2001 / Capital Europeia da Cultura.
Descendente de uma familia do Porto de sólidas tradições democráticas, Artur Santos Silva foi dos primeiros a erguer a bandeira da manutenção dos centros de decisão em Portugal, considerando-a um «desígnio nacional».
É condecorado por Portugal, Espanha e França com a “Ordem de Mérito Civil”.  
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