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Política

31 Mai 2010

Expressiva maioria do PS apoia Alegre com resignação

Francisco Teixeira
Expressiva maioria do PS apoia Alegre com resignação

“Uma expressiva maioria” confirmou ontem o apoio do PS à candidatura presidencial de Alegre. Sócrates diz que o poeta é sinónimo de “progresso”.

Resignação, divisão, contestação e... entusiasmo. São as palavras, algumas contraditórias, mas que no seu conjunto retratam a decisão oficializada ontem pela Comissão Nacional do PS: por proposta de Sócrates, os socialistas vão apoiar Manuel Alegre, que enfrentará, ao que tudo indica, a recandidatura de Cavaco Silva nas presidenciais de Janeiro do ano que vem. "O PS é um partido de responsabilidade" e "não se abstém", garantiu ontem Sócrates, que disse partilhar com Alegre um valor: "O do progressismo".

De braço no ar, por proposta da Juventude Socialista, o nome de Alegre recebeu "uma ampla maioria" de votos a favor (Francisco Assis, o porta-voz do encontro, não esclareceu quantos votos foram sufragados), 10 votos contra e uma abstenção. O líder parlamentar do PS disse que "Alegre é um candidato do progresso, da cultura" e o "melhor candidato para unir os portugueses" e "ganhar as presidenciais". Assis garantiu que Sócrates estará "ao lado" de Alegre na campanha, afirmou que "não há nenhuma razão" para o PS partir para a corrida" derrotado" e disse "estar certo" que os militantes "vão corresponder" ao apelo da direcção.

Mas foi ainda antes do encontro de ontem no Hotel Altis, em Lisboa, nas palavras de Almeida Santos que ficou bem patente o estado de espírito dos socialistas: "Se não votamos em Manuel Alegre votamos em quem?". A pergunta do presidente do PS serviu para condicionar os destacados militantes socialistas que não perdoam ao candidato-poeta três coisas: a colagem ao Bloco de Esquerda, que insiste em fazer do PS um alvo permanente (ainda ontem Louçã apelidou Sócrates de "pacóvio" no episódio de Chico Buarque); o confronto fratricida de Alegre com Mário Soares nas últimas presidenciais; e, por fim, a contestação que o próprio poeta fez às políticas levadas a cabo pelo último Governo de José Sócrates quando ainda ocupava a vice-presidência do Parlamento. Vitor Ramalho assumiu-se como um dos porta-estandartes do anti-alegrismo, os que queriam outro candidato: "Deve haver liberdade de voto" para os socialistas nas próximas presidenciais e o partido deve "focar-se nas tarefas governativas" numa altura em que o país enfrenta uma "conjuntura internacional complexa, que não é brincadeira nenhuma" pedia, à entrada, o presidente da Federação do PS Setúbal, amigo de longa data de Mário Soares. Sobre o militante número um do partido, não há qualquer dúvida: Soares já deixou claro que voltará a não estar ao lado do seu partido numa corrida presidencial. A primeira vez foi quando o PS apoiou Ramalho Eanes, desta vez não estará ao lado de Alegre: " Tenho uma coisa já há muito tempo, que é a minha consciência" disse Soares na semana passada.

António José Seguro, um putativo candidato à sucessão de Sócrates, pediu ao PS para apoiar Manuel Alegre mas deixou um recado: "É preciso mais do que um mero apoio formal, é preciso agir". Seguro quer que os socialistas combatam uma recandidatura de Cavaco trabalhando, activamente, para a eleição de Manuel Alegre.

Enquanto a candidatura de Cavaco continua a ser um assunto tabu e a direita mais conservadora ainda procura um adversário para apresentar contra o actual presidente, Fernando Nobre e Manuel Alegre são os únicos candidatos que já oficializaram a candidatura. O PCP garante que terá candidato próprio, enquanto o PSD mantém o seu apoio "inequívoco" a Cavaco: "Ao contrário do PS, no PSD não existem estados de alma sobre as presidenciais" diz Miguel Relvas, porta-voz dos social-democratas.

 

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