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Exposição da banca nacional a dívida pública subiu 30% em 6 meses

Rui Barroso  
08/08/12 00:05


Apenas as entidades financeiras italianas tiveram uma maior subida na exposição a dívida soberana nos primeiros seis meses do ano.

Os bancos portugueses continuam a apostar em dívida pública. Desde o início do ano, a exposição a obrigações governamentais subiu 29,23%. Se, no final de 2011, a posição nestes activos se cifrava em 26 mil milhões euros, no final de Junho, segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo BCE, a banca nacional tinha 33,6 mil milhões de euros aplicados em dívida governamental. A maior parte da exposição é a títulos de dívida soberana portuguesa.

Apenas as entidades bancárias italianas tiveram um crescimento mais elevado, aumentando a exposição a títulos de dívida soberana em 36% desde o início do ano. O montante situa-se em 342,1 mil milhões de euros, mais 90,5 mil milhões de euros que no final de 2011. E o fenómeno estendeu-se a Espanha, com os bancos do país vizinho a aumentar em quase 25% a exposição a dívida soberana.

Liquidez do BCE motivou compras de dívida pública
Uma das explicações para a maior aposta em dívida pública está relacionada com as mega-injecções de liquidez feitas pelo BCE em Dezembro e final de Fevereiro. No conjunto das duas operações de financiamento ilimitado a três anos, a entidade liderada por Mario Draghi emprestou cerca de um bilião de euros à banca europeia. Parte do valor conseguido pelo sector bancário europeu nessas operações terá sido aplicada em dívida pública.

E isso deve-se a dois motivos. Por um lado, os bancos podem contribuir para a sua margem financeira aplicando o financiamento a taxas de juro de 1% em dívida pública com taxas de rentabilidade mais elevada, como é o caso da portuguesa, que transacciona no mercado secundário a 10,05% na maturidade a dez anos. Por outro, ao comprarem dívida pública, ficam com activos para entregar junto do BCE caso necessitem de solicitar mais cedências de liquidez.


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