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Jacques de Larosière, antigo director do FMI, diz que o organismo não faria “muito mais” do que está já a ser feito em Portugal.
"Estou impressionado com as medidas [do Orçamento do Estado para 2011], que são muito significativas e vão trazer o défice para 4,6 por cento do PIB no próximo ano, depois de números muito altos", disse à agência Lusa o actual presidente do Comité de Estratégia do Tesouro de França, à margem da conferência "A actividade financeira e o novo modelo de supervisão", promovida em Lisboa pelo BPI Pensões.
Segundo Larosière, esta "é uma notável demonstração do empenho das autoridades portuguesas em resolver a situação" e o especialista elogiou também a reforma feita no sistema de Segurança Social português.
"Portugal está a fazer muito bem o trabalho, está a fazer as coisas certas. O FMI não faria muito mais", realçou à Lusa.
No que toca à pressão dos investidores sobre a dívida pública portuguesa, que tem levado os juros para níveis elevados, Larosière disse que "o mercado precisa de tempo para perceber a extensão das medidas", reforçando que "o mercado está sempre um passo atrás".
O responsável francês, que liderou o FMI entre 1978 e 1987, tendo depois sido cinco anos o governador do Banco de França, apontou ainda o dedo ao papel desempenhado pelas agências de notação financeira.
"As agências de 'rating' têm de explicar melhor o impacto das medidas que estão a ser tomadas", salientou.
Na sua opinião, "a qualidade do risco soberano português é melhor hoje do que há dois anos", uma vez que Portugal "é um país importante e com potencial".
Larosière explicou que "o grande problema está nas contas públicas, que condicionaram o crescimento económico do país nos últimos anos", mas mostrou-se confiante para o futuro.
"Portugal está a passar por um processo doloroso, mas que tem que ser feito. É um caminho difícil, mas inevitável", concluiu.
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